Já vos aconteceu pensarem em todas as pessoas que conhecem e
imaginarem uma relação? É certo que entre as caretas e alguma repulsa há sempre
alguém que pensamos: até acho que podia resultar. Pois bem, é sempre esse que
não nos demonstra qualquer interesse, se está a borrifar para nós e não nos vê mais
do que amigas.
Não sabia nada dele há mais de dez anos, por casualidade das
novas tecnologias e cruzamentos de amigos na mais famosa rede social - e fora
dela - combinamos um jantar, a quatro. Nós, o amigo dele e a minha amiga, eles
que nos tinham reencontrado. Pareceu-me uma coisa do destino.
Muito mistério em redor do jantar, combinamos nos encontrar
num badalado bar no Cais do Sodré. Uns aperitivos que supostamente deveriam de
funcionar como desbloqueador de conversa, mas desnecessário visto que depois
dos 30 e entre amigos, qualquer tema, é um bom tema. Seguimos para o jantar,
num conhecido restaurante de Lisboa. Não foi maravilhosa a comida, mas também
não acho tão má quanto a rotularam e provavelmente por peso de consciência,
pela, dizem eles, escolha menos acertada, fez questão em pagar a conta. Ora
confesso-me, completamente boquiaberta, já não me lembrava da última vez em que
alguém me tinha pago a conta. Recusei ao início, era disparatado, e era! Nunca
sei muito bem como reagir nestas ocasiões, isto de sermos independentes,
faz-nos ganhar orgulho e uma impetuosidade que não se usava outrora, e foi
nisto que pensei: Um cavalheiro! Afinal, existem!
Uma noite completamente imprevista e que nunca acabava onde
eu achava que ia acabar. Primeiro, achei que seria depois de jantar, horas mais
tarde, achei que seria a seguir ao café… Mas acabou de manhã, numa famosa
pastelaria no restelo. A pintura esborratada e as olheiras eram só pormenores
perante a diversidade de coisas que tinham acontecido. Mas tudo sempre como
amigos. E foi com este pensamento que voltei para casa: que bom reencontrar e
conhecer amigos que nos fazem ter uma noite tão imprevisivelmente boa. Depois
desta, espaçada é certo, seguiu-se mais uma saída e a promessa de outras que
não aconteceram. Com muita pena minha, confesso.
Mas porque todas as estórias, têm um fim… Percebi o porquê
das saídas terem ficados pelas promessas. O rapaz mudou de estado, se
morássemos nos Estados Unidos ainda havia a possibilidade de o estado representar
distância territorial, mas a verdade é que por cá a alteração de estado é mesmo
essa, a facada final, para a realidade: vamos continuar só amigos. Sabem que
mais? Ainda bem! Ele nem fazia muito o meu género, é muito alto!
A realidade é que, o contacto certo para o coração, não se encontra na
lista telefónica. Acontece, quando tem de acontecer.