Ao contrário do que acontece no final da adolescência/início
da maioridade, aos vinte e poucos ou mesmo vinte e muitos, a probabilidade de
encontrar um solteiro depois dos trinta é tão baixa, que nos devemos de
mentalizar que o mais certo é um divorciado ou viúvo. O que é mesmo muito aborrecido,
porque esqueçam o vestido branco e a entrada triunfal na Igreja, eles já la
estiveram e só se vai uma vez.
Também há a probabilidade – altíssima - de vir com brinde. O
que me assusta. Pois a palavra associada é tão forte quanto negativa e não me lembro
de nenhuma enteada/o dizer bem da madrasta. Haverão, como em tudo excepções - desde
que ela/ele não queira um braço de ferro, prometo esforçar-me para que sejamos
grandes amigos - pensamento positivo e muitas figas! Ainda acresce ao pacote
das probabilidades, a fava. Não há desculpa possível para o fim-de-semana
obrigatório em que nos cruzamos com a mãe do filho e a ex-tudo. Principalmente
se ela não tiver na mesma fase de resolução. Se bem que, desde que não sejamos a
causa da separação pode até ser pacífica a relação entre as duas. Mais que não seja porque
teremos de nos encontrar todos no aniversário da criança!
Independentemente de serem solteiros ou divorciados, certo é, que vem com um role de ex-namoradas, na melhor das hipóteses,
tendo em conta que poderão vir com o rótulo de ex-mulher - até já me está a dar
calores! E outra problemática se levanta, estas modernices de se darem com as
ex , faz-me alguma - muita – confusão. Por algum motivo são ex, pensem, nem que
seja, no tempo perdido. Pior ainda são as que não chegaram a ser oficiais, mas
também não chegaram a ser perda de tempo, porque foram amigas coloridas em que
tudo correu bem. E fica aquele clima de incerteza boa, em que por circunstâncias
diversas não avançaram para uma relação porque podiam estragar tudo o que
tinham de bom. Estas sim, são uma ameaça e ao mesmo tempo a insegurança saudável.
Faz-nos pensar que se não cuidarmos vem o lobo mau e lá se vai a oficialzinha!
Mas com a idade aprendi a lidar melhor com isso, já acho
permitido um “olá”, obviamente seguido de um “Adeus” sem espaço para o “está
tudo bem?” que isso dava azos a conversas e a sorrisinhos dispensáveis. Se ela
for gira e demasiado proporcional – boa! – Então só tem ordem de soltura para
acenar, sorrir e desviar automaticamente o olhar.
Não são tão poucos os casos, de ex-casais que conheço em que
para além de amigos, são os melhores amigos, saem para o café e numa outra fase,
em que iniciam novas relações, acabam mesmo por se relacionar todos. Frequente principalmente
em grupos de amigos comuns - que é o único caso em que até compreendo. Ainda assim,
não acredito que se esqueçam que tiveram uma relação intima. E era nestas
alturas que pagava para ler pensamentos num jantar em se cruzam todos.
Ou será que significa que as ex-relações estão bem
resolvidas, as pessoas são civilizadas, crescidas e isso é mesmo permitido?
Bem sei que no final das relações, há a fase inicial em que
nem os queremos ver à frente, a seguinte em que, se for possível mantenham a distância,
e outra em que podem estar num mesmo recinto que são invisíveis. Mas amigos?
Não creio. Considero que todas as minhas relações passadas estão mesmo muito
bem resolvidas e ainda assim não mantenho contacto com nenhum. Não sinto
qualquer necessidade de aproximação e quando me cruzo ocasionalmente com algum
só me vem à cabeça as coisas negativas o que faz com que me sinta um “DUM DUM” e
aplique automaticamente o slogan.
Quero com isto dizer que é uma vantagem enorme não falar com
os falecidos - substituição carinhosa, ou não, de Ex - o “futuro” está sempre tranquilo, e evitamos discussões mesquinhas
e paranóicas - reconheço.