terça-feira, 18 de março de 2014

Final de relações longas...

 “Solteira aos trinta(s)? Uma relação longa que acabou, estou certo?” perguntaram-me recentemente.

Ao contrário do que provavelmente ficou a pensar, a relação longa não foi a última, mas a primeira. Aquela em que se aposta tudo, que se faz tudo, se atura tudo até ao dia em que não se tolera mais nada. E apercebi-me que eu, tal como a maior parte de vocês, provavelmente sofremos desse síndroma.

Um dos problemas das relações longas, é que a relação deixa de ser a dois, mas enraizasse na família, e quando acabamos, custa mais acabar com a família do que com o parceiro. A mim aconteceu-me isso, a relação estava presa por fios em que a família se esforçava imenso para manter, e o sentimento por eles era tão profundo que fui arrastando. Costumo dizer que: encontrar um namorado melhor, não vai ser difícil, mas uma família, só igual, porque melhor, duvido!

Costumo comparar o final de uma relação a uma morte – daí chama-los de falecidos ou defuntos. Afinal, para recuperar – e aceitar – passamos por todas as fases. Tal como quando perdemos alguém - no verdadeiro sentido da palavra.

Se o tempo voltasse atrás, tenho as minhas dúvidas se mudava alguma coisa, não pelos momentos bons ou maus, mas pela aprendizagem que foi, um curso intensíssimo – um Doutoramento - do que não se deve fazer, do que não se deve consentir. Erros naturais e de uma enorme inocência.

O meu conto de fadas fora banhado por um tsunami. E foi neste momento que despertei para a realidade.

No entanto, a relação longa, trama-nos as contas. Porque os anos não voltam para trás. E nesse sentido o rapaz  - que me fez a pergunta - acertou em cheio. Olhando para o passado consigo dizer o momento exato em que a relação deveria de ter terminado, mas por teimosia – ou pela ingenuidade do primeiro amor - arrastei enquanto pude. Até que houve um dia, o ”dia”, em que senti o interruptor desligar. Acreditem, acontece mesmo. Fui mesmo vencida pelo cansaço.

Para quem está nesta situação, que pelos relatos que recebo em privado, são mesmo muitos.

Garanto-vos que é possível sarar um coração partido. Até vou mais longe e garanto que só quando ultrapassei percebi o verdadeiro significado do ditado: “não há amor como o primeiro”. Porque há coisas que só “aturamos” uma vez, a primeira vez, daí em diante, somos mais autónomos, seguros, realistas e menos ingénuos.

O primeiro, foi o amor da minha vida - aquele que testou os meus limites - mas não o Homem da minha vida. Por esse, espero calmamente. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Palavra proibida: Ex!

Ao contrário do que acontece no final da adolescência/início da maioridade, aos vinte e poucos ou mesmo vinte e muitos, a probabilidade de encontrar um solteiro depois dos trinta é tão baixa, que nos devemos de mentalizar que o mais certo é um divorciado ou viúvo. O que é mesmo muito aborrecido, porque esqueçam o vestido branco e a entrada triunfal na Igreja, eles já la estiveram e só se vai uma vez.

Também há a probabilidade – altíssima - de vir com brinde. O que me assusta. Pois a palavra associada é tão forte quanto negativa e não me lembro de nenhuma enteada/o dizer bem da madrasta. Haverão, como em tudo excepções - desde que ela/ele não queira um braço de ferro, prometo esforçar-me para que sejamos grandes amigos - pensamento positivo e muitas figas! Ainda acresce ao pacote das probabilidades, a fava. Não há desculpa possível para o fim-de-semana obrigatório em que nos cruzamos com a mãe do filho e a ex-tudo. Principalmente se ela não tiver na mesma fase de resolução. Se bem que, desde que não sejamos a causa da separação pode até ser pacífica a relação entre as duas. Mais que não seja porque teremos de nos encontrar todos no aniversário da criança!

Independentemente de serem solteiros ou divorciados, certo é, que vem com um role de ex-namoradas, na melhor das hipóteses, tendo em conta que poderão vir com o rótulo de ex-mulher - até já me está a dar calores! E outra problemática se levanta, estas modernices de se darem com as ex , faz-me alguma - muita – confusão. Por algum motivo são ex, pensem, nem que seja, no tempo perdido. Pior ainda são as que não chegaram a ser oficiais, mas também não chegaram a ser perda de tempo, porque foram amigas coloridas em que tudo correu bem. E fica aquele clima de incerteza boa, em que por circunstâncias diversas não avançaram para uma relação porque podiam estragar tudo o que tinham de bom. Estas sim, são uma ameaça e ao mesmo tempo a insegurança saudável. Faz-nos pensar que se não cuidarmos vem o lobo mau e lá se vai a oficialzinha!

Mas com a idade aprendi a lidar melhor com isso, já acho permitido um “olá”, obviamente seguido de um “Adeus” sem espaço para o “está tudo bem?” que isso dava azos a conversas e a sorrisinhos dispensáveis. Se ela for gira e demasiado proporcional – boa! – Então só tem ordem de soltura para acenar, sorrir e desviar automaticamente o olhar.

Não são tão poucos os casos, de ex-casais que conheço em que para além de amigos, são os melhores amigos, saem para o café e numa outra fase, em que iniciam novas relações, acabam mesmo por se relacionar todos. Frequente principalmente em grupos de amigos comuns - que é o único caso em que até compreendo. Ainda assim, não acredito que se esqueçam que tiveram uma relação intima. E era nestas alturas que pagava para ler pensamentos num jantar em se cruzam todos.

Ou será que significa que as ex-relações estão bem resolvidas, as pessoas são civilizadas, crescidas e isso é mesmo permitido?

Bem sei que no final das relações, há a fase inicial em que nem os queremos ver à frente, a seguinte em que, se for possível mantenham a distância, e outra em que podem estar num mesmo recinto que são invisíveis. Mas amigos? Não creio. Considero que todas as minhas relações passadas estão mesmo muito bem resolvidas e ainda assim não mantenho contacto com nenhum. Não sinto qualquer necessidade de aproximação e quando me cruzo ocasionalmente com algum só me vem à cabeça as coisas negativas o que faz com que me sinta um “DUM DUM” e aplique automaticamente o slogan.

Quero com isto dizer que é uma vantagem enorme não falar com os falecidos - substituição carinhosa, ou não, de Ex - o “futuro” está sempre tranquilo, e evitamos discussões mesquinhas e paranóicas - reconheço. 

domingo, 9 de março de 2014

Trimilenária

O pós dia mulher foi muito especial para mim, faz hoje dois meses que ganhei coragem para iniciar este projeto. Não tinha grandes expectativas quando criei o blog, pensei que ficasse pelos amigos e amigos de amigos. Mas o incrível poder do mundo virtual surpreendeu-me.

Entusiasmei-me a cada novo “gosto”, com cada mensagem que recebi - pública e/ou privada - com os incentivos de todos os que se identificam com o conteúdo do que escrevo.

Assusta-me perceber que não tendo pensado em números, também nunca pensei ser trimilenária, muito menos num período de tempo tão curto.Obrigada por fazerem parte deste meu cantinho, tão especial para mim. Não imaginam o bem que me fazem.

Cada “gosto” corresponde a uma pessoa, a uma vida e a uma história. A cada um de vocês o meu obrigada, do fundo do coração!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dificilmente teria uma relação com alguém que…?

Ao ler a frase “Yes i´m single! And youll have to be fuckin amazing to change that” fiquei a pensar no quanto teria de ser mesmo fantástico para me fazer pensar em mudar de estado. E empregando o comentário de uma leitora do blog “cabe um mundo na palavra amazing”. E o que é para mim, não será necessariamente para outra pessoa.

Podia falar da lista interminável de qualidades desejáveis, porque com a idade tornamo-nos mais existentes e selectivas. Mas como estou bem-disposta, vou falar da minha lista de tolerância zero. Dos defeitos com que não consigo lidar o resto da vida.

Tenho pedir desculpas antecipadas porque o conteúdo a seguir pode - mesmo - ferir susceptibilidades.

Se há coisas que me incomodam é que conduzam mal. Não têm a mania de rotular as mulheres de más condutoras? Então têm de obrigatoriamente compreender a linguagem do GPS, saber como e quando mudar de mudança - sem as “arranhar” - estacionar pelo menos à segunda – vá à terceira se for um lugar pequeno, e que não tenham estacionado à primeira ou a segunda por nabice, mas porque a manobra não era mesmo fácil - e não ter problema em conduzir numa cidade que visitam pela primeira vez. Não conhecer a cidade, não muda o lugar dos pedais nem a ordem das mudanças. O meu sistema nervoso ressente-se mesmo perante este cenário. Ah! E se puderem saber qualquer coisa do carro para além do depósito do gasóleo/gasolina também não lhes fica nada mal.

Outra condicionante - e subscrevia qualquer petição em que deveria de permitir direito direto ao divórcio e com uma indemnização vitalícia por quaisquer danos causados- é: ressonar! Eu gosto muito de dormir, feliz ou infelizmente ainda não tenho motivos de força maior para não ter um sono profundo e sem interrupções, logo, é suposto serem horas em que se “desliga”. Independentemente de ter sido um bom ou mau dia, é suposto regenerar tudo e mais alguma coisa. Não conseguir descansar pelos sons emitidos ali ao lado, e como se não fosse mau o suficiente a pessoa que nos está a perturbar ainda dorme profundamente, é tudo o que não se quer na cara-metade.

Porque como ninguém é igual, isto para outras são pormenores. Para mim um gigantesco drama!

Os dramas das minhas amigas são por exemplo: usarem manga à cava, deixarem a porta aberta quando vão à casa de banho ou arrastarem os pés quando andam. Pormenores a meu ver contornáveis com uma conversa aberta e sincera.

No entanto, se preencher a lista de requisitos e ressonar ainda podemos negociar - com a promessa de um tratamento qualquer - agora conduzir mal, não há negociação possível!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Abordagens #2

Adoro os fins de dia na praia, deitar-me de barriga para baixo e moldar o corpo na areia. Fechar os olhos. Ouvir o barulho da rebentação da agua e as vozes ao longe num zumbido característico de Verão. Gosto do Sol quente a bater nas costas depois de um mergulho.

E foi num destes maravilhosos dias em que não tinha horas para regressar, que os ares algarvios me surpreenderam.

Estava esponjada no deslumbrante areal, numa das praias a Sul em que em pleno Agosto, não há problema em estender a toalha. Onde não se avista o início nem o fim da praia, num cenário esplêndido e revigorante. Levantei a cabeça - não sei bem porquê - e lá vinha ele. Encandeada não vislumbrei bem, só vi a volumetria e percebi que era alto. Mas a figura prendeu-me a atenção. Discreta, como tento sempre ser, mas nada indiferente ao que via, mudei de posição - na verdade era mais fácil de espreitar pelo canto do olho – e ele estaciona três metros ao lado. O Deus grego era, agora, oficialmente meu vizinho. 

Estendeu a toalha e pousou a mochila. Ao contrário de mim, optou pela atividade ar livre. A inquietação e a dedicação ao yoga, causaram um misto de sensações: estranheza, porque raros são os homens que praticam - que eu conheça - e admiração por fazê-lo sem qualquer receio de censura, por gosto diria. Pelo físico, é adepto de desporto. Que chatice! 

Algum tempo depois, senti que os três metros estavam a encurtar, o Deus grego, vinha mesmo na minha direção. Chegou perto de mim, baixou-se. Num português mal falado, com uns olhos azuis penetrantes, com a tonalidade reforçada pelo azul do mar e a incidência do Sol, a pele dourada natural no fim do Verão e com uns dentes tão brancos que mais pareciam fazer publicidade a um dentífrico qualquer, perguntou-me: Não queres vir correr? Epá, não podia perguntar se queria ir beber uma água ou comer um gelado? Agora, correr?! Bolas! Sou a rainha da preguiça. E estava num fim-de-semana de descanso. E acho que tropeçava mal me levantasse. Respondi meio atrapalhada: Não, correr não. Obrigada! E ele respondeu - muito rapidamente: vais ficar ai deitada o resto da tarde? E eu pensei: sim, claro, era esse o plano. Leu-me claramente o pensamento, sorriu timidamente e antes que eu respondesse, o Deus grego disse: eu vou, já volto. Voltou, para a toalha! Durante o tempo da caminhada, pensava no que fazer para retribuir o convite... E tanto pensei, que nada fiz.

Poucos mais já eram os resistentes do final do dia. Preparei-me para ir embora, na esperança de uma nova abordagem mas não fomos além da troca de olhares e sorrisos envergonhados. Acenei em gesto de despedida e ele retribuiu com um enorme sorriso. Enquanto andava, olhei para trás, três ou quatro vezes e ele lá estava, fiel, com o olhar direcionado. Arrependi-me de nada ter feito. Ainda pensei voltar no dia seguinte ao mesmo sítio, à mesma hora, mas imaginei que a probabilidade de um déjà-vu, era ínfima. 

Foi um encontro fugaz, mas memorável.

E agora penso: que um simples convite para uma bebida no bar da praia ou um bilhetinho com o número, tinha preenchido a página de um dia, daquele simples dia. Que provavelmente só foi simples, porque as dúvidas inquietantes e uma vez mais o receio pelo desconhecido, falaram mais alto. Ou o destino, como prefiro acreditar.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Acreditar ou não acreditar, eis a questão!

Tudo o que está para além do explicável, para além do palpável, literalmente além seja do que for, suscita curiosidade. Quem não lê, de vez em quando que seja, o horóscopo? Quem nunca viu as características do signo? Quem nunca fez o jogo da agulha? Que atire a primeira crítica.

A verdade é que fui a uma cartomante - se disser Bruxa, será que ela se ofende?!

Marquei a consulta como se do dentista se tratasse. Fui pontual, não fosse a Senhora rogar-me alguma praga e se havia lugar em que esta palavra fazia sentido, era ali. Tal como em qualquer consultório, a senhora – a bruxa, no sentido adivinho da coisa – chegou atrasada. Enquanto isso, apreciava a sala de espera. Sim, até tinha sala de espera. As paredes em tons rosa e branco, num cenário muito bucólico e romântico, pela escolha da decoração, aposto que são mulheres na maioria que a consultam.

Uma senhora, na casa dos sessenta e muitos dirige-se a mim, pensei que me fosse segredar ou perguntar alguma coisa, não a vi quando cheguei, mas era a recepcionista discretamente a dizer que era a minha - nossa - vez. Não fui sozinha, curiosa que é curiosa desencaminha sempre alguém. Tudo tão protocolar - que nem dava para brincar com a situação - deixa muitos consultórios “de verdade” a anos-luz! Eu devo de ter ido à Bruxa chique, só pode!

 Confesso que esperava uma velha de preto com uma verruga e uma vassoura no canto da sala. E tudo escuro. Mas com a modernização, tudo mudou. O consultório era minimalista, arejado e a Sra. Bruxa, uma pessoa aparentemente normal. Vestida de forma casual e com um discurso que roçava o de psicóloga/amiga.

 E o grande momento chegou. Duas raparigas - duas mulheres! Agora parecia a minha avó a falar das amigas - a entrarem num sítio destes, ou desconfiam do marido ou não têm marido! Quem quer ser a primeira e o que querem saber? Pergunta a Senhora - vou tentar evitar chama-la de Bruxa. Cheguei-me logo à frente. E respondi corajosamente: Tudo! Parti o baralho em dois e começou a consulta onde ia saber o que me esperava nos próximos dois anos – não me perguntem o porquê do limite de tempo, foi o que a senhora disse. E nestas coisas, cada uma sabe da sua profissão.

Para disfarçar, comecei pelo trabalho, visto que está tudo em crise, as previsões foram tipo o tempo, negras! Para a saúde, recomendou agasalhar-me bem que andam por ai umas gripes. Quem diria?! Se não fossem as cartas, estava tramada!

Quanto ao amor, tivemos uma hora, à volta do amor.

Começou por fazer referências ao passado e ao presente. Não batia a bota com a perdigota, mas eu queria mesmo era saber o futuro, estava ali num frenesim para saber o que me esperava. Há terceira haveria de acertar, e é então que me diz assim sem dó nem piedade que me esperavam dois anos de uma mão cheia de nada. Que desilusão! Mas tenho a dizer que me encorajou com a descrição da pessoa, que não sabe, mas vai tropeçar em mim. Saí de lá logo com uma perspectiva de negócio para a senhora, desenvolvia a arte de desenhar, fazia um retrato robot e ganhava uma fortuna. E eu, ganhava tempo. Espalhava retratos do meu futuro - qualquer coisa - fazia um blog ou atirava-me da ponte com uma foto ao peito, quiçá conseguia captar a atenção de uma estação de televisão e passar no jornal das oito! Alguém haveria de reconhece-lo!
Até que, completamente embrenhada no que ela me dizia, perguntei: e filhos, diz ai alguma coisa? E sabem o que o raio da bruxa - agora teve de ser, merece! -me respondeu? Se não tem nenhum problema, não tem filhos porque não quer! Fiquei a pensar nisto, não deixa de ser verdade. A bruxa tem razão!

A parte engraçada é que passamos o resto da tarde a falar do assunto, bem ou mal, ainda nos questionamos da veracidade e da falta dela em tudo o que a cartomante nos disse. Mas eu garanto-vos que desde que tenham a vocação para contar histórias é uma profissão em ascensão. E com a crise, diria que deve de ser das poucas que têm lucro neste momento. Por outro lado, também não fazem mal a ninguém e acredito mesmo, que muitas das vezes, até ajudam, porque naquela hora, independentemente do que digam, as pessoas que lá vão sentem que alguém as ouve.  

Conclusão: Se precisarem de algum conselho procurem as amigas de verdade, só têm vantagens e são de borla!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Livro de reclamações s.f.f.


Se das desvantagens tirarmos algum partido, não custa assim tanto reconhecer que o tempo, esse bandido clandestino, nos persegue e não há como fugir dele. Dificultar-lhe a vida. Nada de facilidades. Mas aceita-lo com a naturalidade que merece.

Não vou culpar os trintas porque na verdade começou aos vintes e muitos.

Descobri os meus primeiros brancos ou como a minha cabeleireira carinhosamente apelidou “pirilampos”. Não gostei. Se bem que daí em diante foi sempre a piorar, há alturas que a minha cabeça mais parece um parque de campismo dos ditos pirilampos. Estou a exagerar, só um bocadinho, mas na verdade é uma boa desculpa para mudar de visual de vez em quando.

Nos últimos tempos descobri que as rugas também resolveram fazer-me uma visita. Chamam-lhe rugas de expressão, eu trato-as por rugas. Já fica aquele risquinho quando desfaço o riso, por isso, não a vou tratar com diminutivos. Parece que vamos ficar amigas para todo o sempre e segundo dizem com o tempo, também não melhora. Como diz a canção: rugas de rir, rugas de chorar e ruga de cantar – e mal, muito mal. São sempre uma boa desculpa para nos mimarmos. E cuidar de mim, sabe-me tão bem.

A última queixa, é o metabolismo que não responde da mesma maneira. Aqui, é fácil controlar, é só saber ou reaprender a comer, de tudo, mas nas proporções e alturas certas. Reaprendi a ter uma alimentação equilibrada e descobri que gostava de alimentos que desconhecia.Com uns excessos de vez em quando. Nada que o exercício regular – obrigatório! - não resolva. Ao início custa horrores, as desculpas para não ir - no meu caso ao ginásio - eram mais que muitas, mas o meu espelho deixou de me responder que eu era a mais bela e aconselhou-me mais empenho. E como normalmente ele não engana, segui o seu conselho.

Outra alternativa, é um fecho éclair na boca. Resulta! Se bem que “éclair” me lembra também, pastelaria!

Descubram um desporto ou um hobbie - descobri recentemente a dança - de que gostem e vão ver como cuidar de nós, deixa de ser um sacrifício e passa a ser um prazer.

No entanto, se souberem de alguma entidade a que possa reclamar, a gerência agradece.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Amigos, só amigos.

Já vos aconteceu pensarem em todas as pessoas que conhecem e imaginarem uma relação? É certo que entre as caretas e alguma repulsa há sempre alguém que pensamos: até acho que podia resultar. Pois bem, é sempre esse que não nos demonstra qualquer interesse, se está a borrifar para nós e não nos vê mais do que amigas.

Não sabia nada dele há mais de dez anos, por casualidade das novas tecnologias e cruzamentos de amigos na mais famosa rede social - e fora dela - combinamos um jantar, a quatro. Nós, o amigo dele e a minha amiga, eles que nos tinham reencontrado. Pareceu-me uma coisa do destino.

Muito mistério em redor do jantar, combinamos nos encontrar num badalado bar no Cais do Sodré. Uns aperitivos que supostamente deveriam de funcionar como desbloqueador de conversa, mas desnecessário visto que depois dos 30 e entre amigos, qualquer tema, é um bom tema. Seguimos para o jantar, num conhecido restaurante de Lisboa. Não foi maravilhosa a comida, mas também não acho tão má quanto a rotularam e provavelmente por peso de consciência, pela, dizem eles, escolha menos acertada, fez questão em pagar a conta. Ora confesso-me, completamente boquiaberta, já não me lembrava da última vez em que alguém me tinha pago a conta. Recusei ao início, era disparatado, e era! Nunca sei muito bem como reagir nestas ocasiões, isto de sermos independentes, faz-nos ganhar orgulho e uma impetuosidade que não se usava outrora, e foi nisto que pensei: Um cavalheiro! Afinal, existem!

Uma noite completamente imprevista e que nunca acabava onde eu achava que ia acabar. Primeiro, achei que seria depois de jantar, horas mais tarde, achei que seria a seguir ao café… Mas acabou de manhã, numa famosa pastelaria no restelo. A pintura esborratada e as olheiras eram só pormenores perante a diversidade de coisas que tinham acontecido. Mas tudo sempre como amigos. E foi com este pensamento que voltei para casa: que bom reencontrar e conhecer amigos que nos fazem ter uma noite tão imprevisivelmente boa. Depois desta, espaçada é certo, seguiu-se mais uma saída e a promessa de outras que não aconteceram. Com muita pena minha, confesso.

Mas porque todas as estórias, têm um fim… Percebi o porquê das saídas terem ficados pelas promessas. O rapaz mudou de estado, se morássemos nos Estados Unidos ainda havia a possibilidade de o estado representar distância territorial, mas a verdade é que por cá a alteração de estado é mesmo essa, a facada final, para a realidade: vamos continuar só amigos. Sabem que mais? Ainda bem! Ele nem fazia muito o meu género, é muito alto!

A realidade é que, o contacto certo para o coração, não se encontra na lista telefónica. Acontece, quando tem de acontecer.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Abordagens #1

Na minha altura de emigrante, viajava com tal frequência, que os passageiros do avião e a tripulação já me eram familiares. O mesmo acontecia com eles, já sorriamos e acenávamos com a cabeça para mais “uma moeda, mais uma voltinha”.

Recordo-me de um Domingo à noite, dia de regresso à outra realidade, em que mudava de língua e o ar nas primeiras horas era tudo menos regenerador, com se todo o circuito respiratório entupisse, não por culpa da cidade e tão pouco das pessoas, mas porque o coração fraquejava e não bombeava da mesma maneira, desconcertando toda a orquestra que é o natural sistema cardiorespiratório indispensável à vida. As saudades apertavam, logo a seguir à despedida.

Ao entrar no táxi, o português - digo com carinho - agarrou a porta antes de a fechar, sim, como vemos no cinema - naqueles filmes em que choramos, rimos e no final eles ficam juntos - e cheio de coragem, pediu-me o número…

Normalmente, não sei como reagir – ainda hoje não sei!  – A minha resposta muito pronta foi: “se o destino quiser que nos voltemos a ver, encontramo-nos por ai”, não sei de onde aquilo me saiu, nem acontecem este tipo de situações com a frequência necessária para que a resposta estivesse na “pontinha da língua”. Aparentemente segura, sorri, fechei a porta e com um gesto de despedida, o carro seguiu. Ainda me lembro do ar espantado, chocado, de sobrolho levantado e boquiaberto, assim meio embasbacado, coitado! Pelo caminho pensava: fiz bem, fiz mal, devia de ter dado?! Não devia!? Que estupidez! Podíamos ter acabado a noite num sítio qualquer com uma boa conversa, a jantar, a passear, sei lá! Não necessariamente um romance, mas uma amizade. Tinha todos os condimentos. Éramos dois estrangeiros oriundos do mesmo país, com a língua em comum e certamente com uma imensidão de diferentes experiências da mesma cidade. Mas o meu pânico misturado com o meu receio pelo desconhecido, ao mesmo tempo tentar parecer calma e natural, deu nisto. Não, não o voltei a ver. Passaram alguns anos, vou acreditar que está careca, barrigudo e espero que feliz. E que não pense em mim, se é que ele mais algum dia pensou, como a maluca que fugiu.

Se fosse hoje, aiii se fosse hoje... Não faço ideia do que fazia!

Não há receita para estes imprevistos, mas encaro-os como um desafio ao meu poder de improviso, às vezes corre bem outras nem por isso. Mas acredito que a maturidade também se reflecte nestas ocasiões e por isso as abordagens que se seguiram, diferentes é certo, algumas, obrigaram-me a usar o bloqueador de contactos, outras não passaram disso, mas pelo menos fizeram história.

As vantagens das relações que não demos oportunidade, são que perduram como “ses” romanceados pela imaginação.