Ao contrário do que provavelmente ficou a pensar, a relação
longa não foi a última, mas a primeira. Aquela em que se aposta tudo, que se
faz tudo, se atura tudo até ao dia em que não se tolera mais nada. E apercebi-me
que eu, tal como a maior parte de vocês, provavelmente sofremos desse síndroma.
Um dos problemas das relações longas, é que a relação deixa
de ser a dois, mas enraizasse na família, e quando acabamos, custa mais acabar
com a família do que com o parceiro. A mim aconteceu-me isso, a relação estava
presa por fios em que a família se esforçava imenso para manter, e o sentimento
por eles era tão profundo que fui arrastando. Costumo dizer que: encontrar um
namorado melhor, não vai ser difícil, mas uma família, só igual, porque melhor,
duvido!
Costumo comparar o final de uma relação a uma morte – daí
chama-los de falecidos ou defuntos. Afinal, para recuperar – e aceitar –
passamos por todas as fases. Tal como quando perdemos alguém - no verdadeiro sentido
da palavra.
Se o tempo voltasse atrás, tenho as minhas dúvidas se mudava
alguma coisa, não pelos momentos bons ou maus, mas pela aprendizagem que foi,
um curso intensíssimo – um Doutoramento - do que não se deve fazer, do que não
se deve consentir. Erros naturais e de uma enorme inocência.
O meu conto de fadas fora banhado por um tsunami. E foi neste
momento que despertei para a realidade.
No entanto, a relação longa, trama-nos as contas. Porque os
anos não voltam para trás. E nesse sentido o rapaz - que me fez a pergunta - acertou em cheio.
Olhando para o passado consigo dizer o momento exato em que a relação deveria de ter
terminado, mas por teimosia – ou pela ingenuidade do primeiro amor - arrastei
enquanto pude. Até que houve um dia, o ”dia”, em que senti o interruptor
desligar. Acreditem, acontece mesmo. Fui mesmo vencida pelo cansaço.
Para quem está nesta situação, que pelos relatos que recebo
em privado, são mesmo muitos.
Garanto-vos que é possível sarar um coração partido. Até vou
mais longe e garanto que só quando ultrapassei percebi o verdadeiro significado
do ditado: “não há amor como o primeiro”. Porque há coisas que só “aturamos”
uma vez, a primeira vez, daí em diante, somos mais autónomos, seguros, realistas
e menos ingénuos.
O primeiro, foi o amor da minha vida - aquele que testou os
meus limites - mas não o Homem da minha vida. Por esse, espero calmamente.
