Não sou solteira aos 30 por opção. Acontece. Não culpo o insucesso das relações, a exigente profissão, a desejada independência ou a crise! Acontece. Tem vantagens e desvantagens e é essa experiência que quero partilhar e guardar aqui. O título tem prazo de validade: sete anos! A ver vamos o que acontece entretanto. Que 2014 seja o princípio de uma estória - da minha estória - no regresso ao encantador mundo da blogosfera. Sejam bem-vindos!
sexta-feira, 28 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Uma paixão!
Não cozinho por obrigação, mas por gosto. Devoro livros de
culinária e não perco um programa de televisão relacionado com o tema. Aponto
as receitas, reinvento e na maior parte das vezes até corre bem. É a minha
terapia quando o dia corre mal e a minha paixão quando o dia corre bem. Gosto
em especial de doces e bolos. Adoro chás e ervas aromáticas. Mas as massas são
a minha especialidade.
Gosto de todo o tipo de cozinha, se bem que a Japonesa me
conquistou e tenho alguns problemas com a Italiana, visto que não gosto de
queijo – não contem a ninguém mas ultimamente digo que sou alérgica, porque
quando referia esta pequena esquisitice – grande aos olhos de muitos - via o desdém
nos olhos de quem recebia a informação ou o silêncio ensurdecedor de quem ouvia
o pedido por telefone. Mas respeito tanto quem gosta, que quando cozinho acrescento
o ingrediente proibido. Na verdade até fica com melhor aspecto, mas o cheiro,
não há volta a dar. Tenho o dobro do trabalho mas nada a que já não esteja
habituada. E acho um crime privar alguém só porque eu odeio o dito.
Se há vantagens, é na cozinha.
O frigorífico só tem coisas boas, ninguém se queixa do tempero, da cozedura e tão pouco dos horários. Digo isto, mas eu adoro cozinhar para mais pessoas, no entanto, sou sempre a minha grande crítica e vou apurando as novidades até ter razões para fazer brilharetes.
Tenho como regra ter sempre sopas diferentes congeladas, para o caso da preguiça apertar. Sempre que faço uma nova congelo duas doses, desta maneira a base para uma refeição está sempre pronta e ainda tenho opção de escolha. O complemento improviso de acordo com o tempo e com a fome. Por isso, um truque é ter sempre o básico: salada, legumes, massas, farinha, ovos, atum, cogumelos, tomate, ervas aromáticas secas e uns vazos com ervas aromáticas frescas, por exemplo. Têm prazos longos e alternados duram algum tempo. No caso das ervas frescas, para além de serem muito praticas e fazerem a diferença no toque final, aromatiza a cozinha. Carne e peixe separados por doses, para que facilmente se cozinhe. Saber fazer massa quebrada, folhada e de pizza também dá um jeitão. Evito umas idas de última hora e apressadas ao hipermercado. Mesmo que tenham de levedar, aproveito para preparar os restantes ingredientes. Se não, ter congeladas, é sempre uma alternativa.
Outros artifícios – e uso bastante – gelo aromatizado. Ideal para bebidas e com o Sol a espreitar fica bem em qualquer sumo de fruta ou bebidas digestivas. E ainda, azeite aromatizado congelado em couverts, práticos para refogados. E aromatizado - mas não congelado - para saladas e outros temperos.
Aproveito a hora das refeições para fazer algumas actualizações do dia. Sentar-me à mesa é dos meus grandes prazeres. Se bem que abro umas excepções - de vez em quando - e como com a bandeja no sofá. Acontece quando estou com as minhas séries em atraso. Não sei é bom ou mau, mas sabe tão bem!
Compreendo que nem todos gostem de cozinhar e que por isso optam pela comida congelada e umas sanduiches básicas. Ou então, pelo pronto a comer mais próximo. Não querendo estragar o negócio a ninguém, acho que é tudo uma questão de hábito. Para quem está neste grupo, aconselho que comecem a desfolhar uns livros de culinária, principiem por receitas rápidas e saudáveis. Aos poucos vão descobrir que comem melhor, se mantêm entretidos enquanto, pelo menos, tentam e se resultar vão ficar tão entusiasmados que vão querer experimentar outras receitas. E quando derem por vocês estão uns chefes - da vossa casa!
A minha refeição preferida é o pequeno-almoço. Gostava tanto de acordar e ter… pão fresco sem sair de casa! Não, não era fazer, era assim ele cair do céu - estou mesmo a falar do pão. Não sou assim tão sonhadora, pois não? – Continuo a falar do pão - juro!
Se preferia partilhar? Preferia, mas não era a mesma coisa.
O frigorífico só tem coisas boas, ninguém se queixa do tempero, da cozedura e tão pouco dos horários. Digo isto, mas eu adoro cozinhar para mais pessoas, no entanto, sou sempre a minha grande crítica e vou apurando as novidades até ter razões para fazer brilharetes.
Tenho como regra ter sempre sopas diferentes congeladas, para o caso da preguiça apertar. Sempre que faço uma nova congelo duas doses, desta maneira a base para uma refeição está sempre pronta e ainda tenho opção de escolha. O complemento improviso de acordo com o tempo e com a fome. Por isso, um truque é ter sempre o básico: salada, legumes, massas, farinha, ovos, atum, cogumelos, tomate, ervas aromáticas secas e uns vazos com ervas aromáticas frescas, por exemplo. Têm prazos longos e alternados duram algum tempo. No caso das ervas frescas, para além de serem muito praticas e fazerem a diferença no toque final, aromatiza a cozinha. Carne e peixe separados por doses, para que facilmente se cozinhe. Saber fazer massa quebrada, folhada e de pizza também dá um jeitão. Evito umas idas de última hora e apressadas ao hipermercado. Mesmo que tenham de levedar, aproveito para preparar os restantes ingredientes. Se não, ter congeladas, é sempre uma alternativa.
Outros artifícios – e uso bastante – gelo aromatizado. Ideal para bebidas e com o Sol a espreitar fica bem em qualquer sumo de fruta ou bebidas digestivas. E ainda, azeite aromatizado congelado em couverts, práticos para refogados. E aromatizado - mas não congelado - para saladas e outros temperos.
Aproveito a hora das refeições para fazer algumas actualizações do dia. Sentar-me à mesa é dos meus grandes prazeres. Se bem que abro umas excepções - de vez em quando - e como com a bandeja no sofá. Acontece quando estou com as minhas séries em atraso. Não sei é bom ou mau, mas sabe tão bem!
Compreendo que nem todos gostem de cozinhar e que por isso optam pela comida congelada e umas sanduiches básicas. Ou então, pelo pronto a comer mais próximo. Não querendo estragar o negócio a ninguém, acho que é tudo uma questão de hábito. Para quem está neste grupo, aconselho que comecem a desfolhar uns livros de culinária, principiem por receitas rápidas e saudáveis. Aos poucos vão descobrir que comem melhor, se mantêm entretidos enquanto, pelo menos, tentam e se resultar vão ficar tão entusiasmados que vão querer experimentar outras receitas. E quando derem por vocês estão uns chefes - da vossa casa!
A minha refeição preferida é o pequeno-almoço. Gostava tanto de acordar e ter… pão fresco sem sair de casa! Não, não era fazer, era assim ele cair do céu - estou mesmo a falar do pão. Não sou assim tão sonhadora, pois não? – Continuo a falar do pão - juro!
Se preferia partilhar? Preferia, mas não era a mesma coisa.
terça-feira, 18 de março de 2014
Final de relações longas...
Ao contrário do que provavelmente ficou a pensar, a relação
longa não foi a última, mas a primeira. Aquela em que se aposta tudo, que se
faz tudo, se atura tudo até ao dia em que não se tolera mais nada. E apercebi-me
que eu, tal como a maior parte de vocês, provavelmente sofremos desse síndroma.
Um dos problemas das relações longas, é que a relação deixa
de ser a dois, mas enraizasse na família, e quando acabamos, custa mais acabar
com a família do que com o parceiro. A mim aconteceu-me isso, a relação estava
presa por fios em que a família se esforçava imenso para manter, e o sentimento
por eles era tão profundo que fui arrastando. Costumo dizer que: encontrar um
namorado melhor, não vai ser difícil, mas uma família, só igual, porque melhor,
duvido!
Costumo comparar o final de uma relação a uma morte – daí
chama-los de falecidos ou defuntos. Afinal, para recuperar – e aceitar –
passamos por todas as fases. Tal como quando perdemos alguém - no verdadeiro sentido
da palavra.
Se o tempo voltasse atrás, tenho as minhas dúvidas se mudava
alguma coisa, não pelos momentos bons ou maus, mas pela aprendizagem que foi,
um curso intensíssimo – um Doutoramento - do que não se deve fazer, do que não
se deve consentir. Erros naturais e de uma enorme inocência.
O meu conto de fadas fora banhado por um tsunami. E foi neste
momento que despertei para a realidade.
No entanto, a relação longa, trama-nos as contas. Porque os
anos não voltam para trás. E nesse sentido o rapaz - que me fez a pergunta - acertou em cheio.
Olhando para o passado consigo dizer o momento exato em que a relação deveria de ter
terminado, mas por teimosia – ou pela ingenuidade do primeiro amor - arrastei
enquanto pude. Até que houve um dia, o ”dia”, em que senti o interruptor
desligar. Acreditem, acontece mesmo. Fui mesmo vencida pelo cansaço.
Para quem está nesta situação, que pelos relatos que recebo
em privado, são mesmo muitos.
Garanto-vos que é possível sarar um coração partido. Até vou
mais longe e garanto que só quando ultrapassei percebi o verdadeiro significado
do ditado: “não há amor como o primeiro”. Porque há coisas que só “aturamos”
uma vez, a primeira vez, daí em diante, somos mais autónomos, seguros, realistas
e menos ingénuos.
O primeiro, foi o amor da minha vida - aquele que testou os
meus limites - mas não o Homem da minha vida. Por esse, espero calmamente.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Palavra proibida: Ex!
Ao contrário do que acontece no final da adolescência/início
da maioridade, aos vinte e poucos ou mesmo vinte e muitos, a probabilidade de
encontrar um solteiro depois dos trinta é tão baixa, que nos devemos de
mentalizar que o mais certo é um divorciado ou viúvo. O que é mesmo muito aborrecido,
porque esqueçam o vestido branco e a entrada triunfal na Igreja, eles já la
estiveram e só se vai uma vez.
Também há a probabilidade – altíssima - de vir com brinde. O
que me assusta. Pois a palavra associada é tão forte quanto negativa e não me lembro
de nenhuma enteada/o dizer bem da madrasta. Haverão, como em tudo excepções - desde
que ela/ele não queira um braço de ferro, prometo esforçar-me para que sejamos
grandes amigos - pensamento positivo e muitas figas! Ainda acresce ao pacote
das probabilidades, a fava. Não há desculpa possível para o fim-de-semana
obrigatório em que nos cruzamos com a mãe do filho e a ex-tudo. Principalmente
se ela não tiver na mesma fase de resolução. Se bem que, desde que não sejamos a
causa da separação pode até ser pacífica a relação entre as duas. Mais que não seja porque
teremos de nos encontrar todos no aniversário da criança!
Independentemente de serem solteiros ou divorciados, certo é, que vem com um role de ex-namoradas, na melhor das hipóteses,
tendo em conta que poderão vir com o rótulo de ex-mulher - até já me está a dar
calores! E outra problemática se levanta, estas modernices de se darem com as
ex , faz-me alguma - muita – confusão. Por algum motivo são ex, pensem, nem que
seja, no tempo perdido. Pior ainda são as que não chegaram a ser oficiais, mas
também não chegaram a ser perda de tempo, porque foram amigas coloridas em que
tudo correu bem. E fica aquele clima de incerteza boa, em que por circunstâncias
diversas não avançaram para uma relação porque podiam estragar tudo o que
tinham de bom. Estas sim, são uma ameaça e ao mesmo tempo a insegurança saudável.
Faz-nos pensar que se não cuidarmos vem o lobo mau e lá se vai a oficialzinha!
Mas com a idade aprendi a lidar melhor com isso, já acho
permitido um “olá”, obviamente seguido de um “Adeus” sem espaço para o “está
tudo bem?” que isso dava azos a conversas e a sorrisinhos dispensáveis. Se ela
for gira e demasiado proporcional – boa! – Então só tem ordem de soltura para
acenar, sorrir e desviar automaticamente o olhar.
Não são tão poucos os casos, de ex-casais que conheço em que
para além de amigos, são os melhores amigos, saem para o café e numa outra fase,
em que iniciam novas relações, acabam mesmo por se relacionar todos. Frequente principalmente
em grupos de amigos comuns - que é o único caso em que até compreendo. Ainda assim,
não acredito que se esqueçam que tiveram uma relação intima. E era nestas
alturas que pagava para ler pensamentos num jantar em se cruzam todos.
Ou será que significa que as ex-relações estão bem
resolvidas, as pessoas são civilizadas, crescidas e isso é mesmo permitido?
Bem sei que no final das relações, há a fase inicial em que
nem os queremos ver à frente, a seguinte em que, se for possível mantenham a distância,
e outra em que podem estar num mesmo recinto que são invisíveis. Mas amigos?
Não creio. Considero que todas as minhas relações passadas estão mesmo muito
bem resolvidas e ainda assim não mantenho contacto com nenhum. Não sinto
qualquer necessidade de aproximação e quando me cruzo ocasionalmente com algum
só me vem à cabeça as coisas negativas o que faz com que me sinta um “DUM DUM” e
aplique automaticamente o slogan.
Quero com isto dizer que é uma vantagem enorme não falar com
os falecidos - substituição carinhosa, ou não, de Ex - o “futuro” está sempre tranquilo, e evitamos discussões mesquinhas
e paranóicas - reconheço.
domingo, 9 de março de 2014
Trimilenária
O pós dia mulher foi muito especial para mim, faz hoje dois meses que ganhei coragem para iniciar este projeto. Não tinha grandes expectativas quando criei o blog, pensei que ficasse pelos amigos e amigos
de amigos. Mas o incrível poder do mundo virtual surpreendeu-me.
Entusiasmei-me a cada novo “gosto”, com cada mensagem que recebi
- pública e/ou privada - com os incentivos de todos os que se identificam com o
conteúdo do que escrevo.
Assusta-me perceber que não tendo pensado em números, também
nunca pensei ser trimilenária, muito menos num período de tempo tão curto.Obrigada por fazerem parte deste meu cantinho, tão especial
para mim. Não imaginam o bem que me fazem.
Cada “gosto” corresponde a uma pessoa, a uma vida e a uma história.
A cada um de vocês o meu obrigada, do fundo do coração!
sexta-feira, 7 de março de 2014
Dificilmente teria uma relação com alguém que…?
Ao ler a frase “Yes i´m single! And youll have to be fuckin
amazing to change that” fiquei a pensar no quanto teria de ser mesmo fantástico
para me fazer pensar em mudar de estado. E empregando o comentário de uma
leitora do blog “cabe um mundo na palavra amazing”. E o que é para mim, não
será necessariamente para outra pessoa.
Podia falar da lista interminável de qualidades desejáveis, porque com a idade tornamo-nos mais existentes e selectivas. Mas como estou bem-disposta,
vou falar da minha lista de tolerância zero. Dos defeitos com que não consigo lidar
o resto da vida.
Tenho pedir desculpas antecipadas porque o conteúdo a seguir
pode - mesmo - ferir susceptibilidades.
Se há coisas que me incomodam é que conduzam mal. Não têm a
mania de rotular as mulheres de más condutoras? Então têm de obrigatoriamente compreender
a linguagem do GPS, saber como e quando mudar de mudança - sem as “arranhar” -
estacionar pelo menos à segunda – vá à terceira se for um lugar pequeno, e que
não tenham estacionado à primeira ou a segunda por nabice, mas porque a manobra
não era mesmo fácil - e não ter problema em conduzir numa cidade que visitam pela
primeira vez. Não conhecer a cidade, não muda o lugar dos pedais nem a ordem
das mudanças. O meu sistema nervoso ressente-se mesmo perante este cenário. Ah!
E se puderem saber qualquer coisa do carro para além do depósito do gasóleo/gasolina
também não lhes fica nada mal.
Outra condicionante - e subscrevia qualquer petição em que
deveria de permitir direito direto ao divórcio e com uma indemnização vitalícia
por quaisquer danos causados- é: ressonar! Eu gosto muito de dormir, feliz ou infelizmente
ainda não tenho motivos de força maior para não ter um sono profundo e sem
interrupções, logo, é suposto serem horas em que se “desliga”. Independentemente
de ter sido um bom ou mau dia, é suposto regenerar tudo e mais alguma coisa. Não
conseguir descansar pelos sons emitidos ali ao lado, e como se não fosse mau o
suficiente a pessoa que nos está a perturbar ainda dorme profundamente, é tudo
o que não se quer na cara-metade.
Porque como ninguém é igual, isto para outras são pormenores.
Para mim um gigantesco drama!
Os dramas das minhas amigas são por exemplo: usarem manga à
cava, deixarem a porta aberta quando vão à casa de banho ou arrastarem os pés
quando andam. Pormenores a meu ver contornáveis com uma conversa aberta e
sincera.
No entanto, se preencher a lista de requisitos e ressonar
ainda podemos negociar - com a promessa de um tratamento qualquer - agora
conduzir mal, não há negociação possível!
domingo, 23 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Abordagens #2
Adoro os fins de dia na praia, deitar-me de barriga para
baixo e moldar o corpo na areia. Fechar os olhos. Ouvir o barulho da rebentação
da agua e as vozes ao longe num zumbido característico de Verão. Gosto do Sol
quente a bater nas costas depois de um mergulho.
E foi num destes maravilhosos dias em que não tinha horas
para regressar, que os ares algarvios me surpreenderam.
Estava esponjada no deslumbrante areal, numa das praias a
Sul em que em pleno Agosto, não há problema em estender a toalha. Onde não se avista
o início nem o fim da praia, num cenário esplêndido e revigorante. Levantei a
cabeça - não sei bem porquê - e lá vinha ele. Encandeada não vislumbrei bem, só
vi a volumetria e percebi que era alto. Mas a figura prendeu-me a atenção.
Discreta, como tento sempre ser, mas nada indiferente ao que via, mudei de
posição - na verdade era mais fácil de espreitar pelo canto do olho – e ele
estaciona três metros ao lado. O Deus grego era, agora, oficialmente meu
vizinho.
Estendeu a toalha e pousou a mochila. Ao contrário de mim,
optou pela atividade ar livre. A inquietação e a dedicação ao yoga, causaram um
misto de sensações: estranheza, porque raros são os homens que praticam - que
eu conheça - e admiração por fazê-lo sem qualquer receio de censura, por gosto
diria. Pelo físico, é adepto de desporto. Que chatice!
Algum tempo depois, senti que os três metros estavam a encurtar,
o Deus grego, vinha mesmo na minha direção. Chegou perto de mim, baixou-se. Num
português mal falado, com uns olhos azuis penetrantes, com a tonalidade
reforçada pelo azul do mar e a incidência do Sol, a pele dourada natural no fim
do Verão e com uns dentes tão brancos que mais pareciam fazer publicidade a um
dentífrico qualquer, perguntou-me: Não queres vir correr? Epá, não podia
perguntar se queria ir beber uma água ou comer um gelado? Agora, correr?!
Bolas! Sou a rainha da preguiça. E estava num fim-de-semana de descanso. E acho
que tropeçava mal me levantasse. Respondi meio atrapalhada: Não, correr não.
Obrigada! E ele respondeu - muito rapidamente: vais ficar ai deitada o resto da
tarde? E eu pensei: sim, claro, era esse o plano. Leu-me claramente o
pensamento, sorriu timidamente e antes que eu respondesse, o Deus grego disse:
eu vou, já volto. Voltou, para a toalha! Durante o tempo da caminhada, pensava
no que fazer para retribuir o convite... E tanto pensei, que nada fiz.
Poucos mais já eram os resistentes do final do dia.
Preparei-me para ir embora, na esperança de uma nova abordagem mas não fomos
além da troca de olhares e sorrisos envergonhados. Acenei em gesto de despedida
e ele retribuiu com um enorme sorriso. Enquanto andava, olhei para trás, três
ou quatro vezes e ele lá estava, fiel, com o olhar direcionado. Arrependi-me de
nada ter feito. Ainda pensei voltar no dia seguinte ao mesmo sítio, à mesma hora,
mas imaginei que a probabilidade de um déjà-vu, era ínfima.
Foi um encontro fugaz, mas memorável.
E agora penso: que um simples convite para uma bebida no bar
da praia ou um bilhetinho com o número, tinha preenchido a página de um dia,
daquele simples dia. Que provavelmente só foi simples, porque as dúvidas inquietantes
e uma vez mais o receio pelo desconhecido, falaram mais alto. Ou o destino,
como prefiro acreditar.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Acreditar ou não acreditar, eis a questão!
Tudo o que está para além do explicável, para além do palpável,
literalmente além seja do que for, suscita curiosidade. Quem não lê, de vez em
quando que seja, o horóscopo? Quem nunca viu as características do signo? Quem
nunca fez o jogo da agulha? Que atire a primeira crítica.
A verdade é que fui a uma cartomante - se disser Bruxa, será
que ela se ofende?!
Marquei a consulta como se do dentista se tratasse. Fui
pontual, não fosse a Senhora rogar-me alguma praga e se havia lugar em que esta
palavra fazia sentido, era ali. Tal como em qualquer consultório, a senhora – a
bruxa, no sentido adivinho da coisa – chegou atrasada. Enquanto isso, apreciava
a sala de espera. Sim, até tinha sala de espera. As paredes em tons rosa e
branco, num cenário muito bucólico e romântico, pela escolha da decoração,
aposto que são mulheres na maioria que a consultam.
Uma senhora, na casa dos sessenta e muitos dirige-se a mim,
pensei que me fosse segredar ou perguntar alguma coisa, não a vi quando
cheguei, mas era a recepcionista discretamente a dizer que era a minha - nossa -
vez. Não fui sozinha, curiosa que é curiosa desencaminha sempre alguém. Tudo
tão protocolar - que nem dava para brincar com a situação - deixa muitos
consultórios “de verdade” a anos-luz! Eu devo de ter ido à Bruxa chique, só
pode!
Confesso que esperava
uma velha de preto com uma verruga e uma vassoura no canto da sala. E tudo escuro. Mas com a modernização, tudo mudou. O consultório era minimalista, arejado e a Sra. Bruxa, uma pessoa aparentemente
normal. Vestida de forma casual e com um discurso que roçava o de psicóloga/amiga.
E o grande momento
chegou. Duas raparigas - duas mulheres! Agora parecia a minha avó a falar das
amigas - a entrarem num sítio destes, ou desconfiam do marido ou não têm
marido! Quem quer ser a primeira e o que querem saber? Pergunta a Senhora - vou
tentar evitar chama-la de Bruxa. Cheguei-me logo à frente. E respondi
corajosamente: Tudo! Parti o baralho em dois e começou a consulta onde ia saber
o que me esperava nos próximos dois anos – não me perguntem o porquê do limite
de tempo, foi o que a senhora disse. E nestas coisas, cada uma sabe da sua
profissão.
Para disfarçar, comecei pelo trabalho, visto que está tudo
em crise, as previsões foram tipo o tempo, negras! Para a saúde, recomendou agasalhar-me bem que andam por ai umas gripes. Quem diria?! Se não fossem as
cartas, estava tramada!
Quanto ao amor, tivemos uma hora, à volta do amor.
Começou por fazer referências ao passado e ao presente. Não
batia a bota com a perdigota, mas eu queria mesmo era saber o futuro, estava
ali num frenesim para saber o que me esperava. Há terceira haveria de acertar, e
é então que me diz assim sem dó nem piedade que me esperavam dois anos de uma
mão cheia de nada. Que desilusão! Mas tenho a dizer que me encorajou com a
descrição da pessoa, que não sabe, mas vai tropeçar em mim. Saí de lá logo com
uma perspectiva de negócio para a senhora, desenvolvia a arte de desenhar, fazia
um retrato robot e ganhava uma fortuna. E eu, ganhava tempo. Espalhava retratos
do meu futuro - qualquer coisa - fazia um blog ou atirava-me da ponte com uma
foto ao peito, quiçá conseguia captar a atenção de uma estação de televisão e
passar no jornal das oito! Alguém haveria de reconhece-lo!
Até que, completamente embrenhada no que ela me dizia,
perguntei: e filhos, diz ai alguma coisa? E sabem o que o raio da bruxa - agora
teve de ser, merece! -me respondeu? Se não tem nenhum problema, não tem filhos
porque não quer! Fiquei a pensar nisto, não deixa de ser verdade. A bruxa
tem razão!
A parte engraçada é que passamos o resto da tarde a falar do
assunto, bem ou mal, ainda nos questionamos da veracidade e da falta dela em
tudo o que a cartomante nos disse. Mas eu garanto-vos que desde que tenham a
vocação para contar histórias é uma profissão em ascensão. E com a crise, diria
que deve de ser das poucas que têm lucro neste momento. Por outro lado, também
não fazem mal a ninguém e acredito mesmo, que muitas das vezes, até ajudam,
porque naquela hora, independentemente do que digam, as pessoas que lá vão
sentem que alguém as ouve.
Conclusão: Se precisarem de algum conselho procurem as
amigas de verdade, só têm vantagens e são de borla!
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Livro de reclamações s.f.f.
Se das desvantagens tirarmos algum partido, não custa assim
tanto reconhecer que o tempo, esse bandido clandestino, nos persegue e não há
como fugir dele. Dificultar-lhe a vida. Nada de facilidades. Mas aceita-lo com
a naturalidade que merece.
Não vou culpar os trintas porque na verdade começou aos
vintes e muitos.
Descobri os meus primeiros brancos ou como a minha cabeleireira
carinhosamente apelidou “pirilampos”. Não gostei. Se bem que daí em diante foi
sempre a piorar, há alturas que a minha cabeça mais parece um parque de
campismo dos ditos pirilampos. Estou a exagerar, só um bocadinho, mas na
verdade é uma boa desculpa para mudar de visual de vez em quando.
Nos últimos tempos descobri que as rugas também resolveram
fazer-me uma visita. Chamam-lhe rugas de expressão, eu trato-as por rugas. Já
fica aquele risquinho quando desfaço o riso, por isso, não a vou tratar com
diminutivos. Parece que vamos ficar amigas para todo o sempre e segundo dizem
com o tempo, também não melhora. Como diz a canção: rugas de rir, rugas de
chorar e ruga de cantar – e mal, muito mal. São sempre uma boa desculpa para
nos mimarmos. E cuidar de mim, sabe-me tão bem.
A última queixa, é o metabolismo que não responde da mesma
maneira. Aqui, é fácil controlar, é só saber ou reaprender a comer, de tudo,
mas nas proporções e alturas certas. Reaprendi a ter uma alimentação equilibrada e descobri que gostava de alimentos que desconhecia.Com uns
excessos de vez em quando. Nada que o exercício regular – obrigatório! - não
resolva. Ao início custa horrores, as desculpas para não ir - no meu caso ao ginásio - eram mais
que muitas, mas o meu espelho deixou de me responder que eu era a mais bela e aconselhou-me
mais empenho. E como normalmente ele não engana, segui o seu conselho.
Outra alternativa, é um fecho éclair na boca. Resulta! Se bem que “éclair”
me lembra também, pastelaria!
Descubram um desporto ou um hobbie - descobri recentemente a dança - de que gostem e vão ver
como cuidar de nós, deixa de ser um sacrifício e passa a ser um prazer.
No entanto, se souberem de alguma entidade a que possa reclamar, a gerência agradece.
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