Não me incomoda não ter uma relação, sei que mais cedo ou
mais tarde vai acontecer. Com o avançar da idade tudo acontece - naturalmente
- com maior rapidez. Do coração, vivo muito bem com essa condição. Mas o que me
faz pensar é que vou ser uma mãe mais velha do que gostaria.
A minha mãe foi precoce neste sentido. O que faz com que
tenhamos somente dezassete anos de diferença. Fazendo contas, de forma
divertida – se fosse hereditário - eu já poderia ser avó! Mas, mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades. E cá estou eu a contrariar a cronologia da árvore
genealógica.
Fico felicíssima quando as minhas amigas/os anunciam a boa
nova e amo os filhos deles. Acompanho as evoluções e preocupações. O que acaba
por me tranquilizar para umas coisas e preocupar para outras. Como se tivesse
workshops completos e variados sobre o tema. O que me aguça mais o desejo.
Não sonho com príncipes encantados montados em cavalos brancos nem com
pessoas perfeitas. Tento esquecer os estereótipos e ajustar a “chek list”. Mas
muito provavelmente, a minha exigência não facilita. Paciência. Estou tão calma
que me dá a serenidade necessária para escolher com cabeça e com o coração. Tenho
saudades do estômago a borboletar. Mas quero o “tal”. Não mais “um”. Quero a
pessoa certa para ser o pai dos meus filhos e o companheiro para a vida.
Se pudesse ter escolhido, teria sido mãe por volta dos
trinta. Uma boa altura, penso. Antes não. Precisava deste tempo que tive para
mim. Também acho que não teria a maturidade necessária para a educação que hoje
sei que gostava que o meu filho tivesse. Por outro lado, não fui mãe porque não
quis – já dizia a “bruxa”. Mas só sei e acredito que fiz as escolhas certas,
porque não aconteceu. E ainda bem. Agora sei que vou desempenhar tão melhor o
meu papel.
O meu relógio biológico há muito que toca. Sinto-me
incompleta.
Não perco noites a pensar, mas suspiro… Digo-o com um
sorriso: Príncipe aparece, quero tanto ser mãe!


