sábado, 19 de julho de 2014

Problemas de um coração.

Esta semana passei mais de metade das horas dos dias no hospital - naquele que foi noticia por razões menos positivas.

Durante essas horas, intermináveis para quem espera, bebi até à última gota as historias. A historia de cada um dos que na hora de medo, contavam o que de mais marcante viveram. E todas elas- todas! - acabavam com uma historia de amor.  Do mais calmo ao mais irreverente. Dos que ainda tinham as suas mais que tudo ao lado aos que as recordavam. Todos falavam da importância de um pilar e de uma família. 

Os olhos brilhavam quando o tema era o lado sem dor do coração que agora fraquejava.

Em comum todos tinham: um coração muito debilitado e as famílias com o coração na mãos.

E de todas as que conheci. Houve uma especial.

O “Bom Vivan” como ele mesmo se apelidou. Tem 68 anos, nascido e criado num dos bairros mais problemáticos de Lisboa. Teve a escola intensiva da vida. Dizia que a tinha vivido da melhor forma que pode. Fez tudo o que lhe apeteceu. Mas que feliz, feliz só tinha sido nos 8 anos que fora casado com a mulher que enfrentou tudo e todos por ele. Sem olhar às origens nem aos “rotolos”. Uma mulher que sendo de uma classe social bem diferente, se limitou a ouvir os batimentos acelerados do seu amor - adoro! Uma doença prolongada roubou-a prematuramente. Não teve filhos. Mas que se agarrava a esse amor para recuperar do AVC - depois de ter superado a grande prova da operação - que lhe roubou a fala durante semanas. O orgulho e saudade estampados no rosto, na voz e nas lágrimas que discretamente limpava. Nunca mais o vi, espero que esteja bem. A viver a vida.

E o meu avô. Não tão fácil de apresentar, porque é o meu. Os seus 80 anos de historias batiam a léguas os Lusíadas em aventuras, um dia faço uma compilação tipo a Anita. Já estou a imaginar os títulos “o meu Avô na …”.

Casado há 58 anos, com filhos, netos e bisnetos. Com uma vida repleta de altos e baixos, mas com uma força de viver invejável. O problema dele não era que alguma coisa corresse mal na cirurgia. O grande drama, era se a minha avó se voltava a apaixonar. Ou seja, uma cena de ciúmes antes desta grande prova, a do coração - no verdadeiro sentido da palavra.

 Espero que cirurgia cárdio-torácica que o encorajamos a fazer para que recuperasse a qualidade de vida perdida nos últimos tempos, seja mais uma a contar no próximo jantar de família, combinado para quando regressar a casa. O sorriso com que acordou, fez-nos respirar de alivio. Os dois avc´s que se seguiram quando já se fazia a contagem decrescente para ter alta, apertaram-nos o coração. A esperança de que tudo vai correr bem - e que o meu Avô não se vai ter de preocupar com a concorrência - encoraja-nos a cada visita. O meu contador de histórias está agora com uma nova dicotomia. Tão difícil de entender quanto de aceitar. Tudo tinha corrido tão bem. A sua energia fora também roubada pelos escassos segundos como se de um sismo se tratasse - ainda que de escala reduzida - roubou-lhe a fala e o movimentos do membro superior direito. Podia ter sido pior, podia. Mas também podia não ter acontecido e tudo ter sido um sucesso. É a vida.

Não há idade para amar. E um amor, é sempre um amor.


Amo-o o tanto, que até prometi esquecer o que ele me disse no Natal.

 “Vou pedir ao tempo, que me dê mais tempo,” tenho de olhar para si.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A verdade devastadora!



É tão difícil dizer que não estamos interessados quanto nos declararmos.
Se por um lado, dizermos a alguém que “vamos ser só amigos” fere. Declararmos-nos, cria um frio que percorre a espinha na incerteza de que do outro lado não vem a dolorosa e afiada frase que tentamos - interiormente - acreditar que não vai ser dita. Enfrentarmos a verdade de cabeça erguida e aceita-la com a naturalidade que merece nem sempre é fácil. Orgulho ferido ou simplesmente negação. Do outro lado, por vezes, a ingenuidade de um sentimento que simplesmente não existe. Mesmo que, muitas vezes, até gostávamos que existisse - seria tão mais fácil.
Os dois lados são extremamente complicados, mas ninguém disse que a vida era fácil.
Li, no outro dia, um artigo sobre as leis da atração  http://terapiassexuais.blogspot.pt/2014/06/as-leis-da-atracao.html e ainda assim continuo pouco esclarecida - a teoria está lá. A verdade é que é algo que não controlamos e daí o que agrada a uns, não agrada a outros. Não se explica, sente-se. O sangue fervilha. E o frio depararece num caldeirão de emoções.

Extremamente curiosa a parte em que “ Sabia que os homens podem interessar-se por mulheres diferentes dependendo se é manhã ou tarde? E que as mulheres podem sentir-se atraídas por homens de tipos muito distintos consoante a altura do mês? É a química a funcionar e, embora não se saiba ainda "da missa a metade", já muito é explicável e até mensurável." 
Prometo testar a teoria! E perceber em que perfil eu me encaixo.
A verdade é que os sentimentos, puros e sinceros não se explicam mas requerem respeito. E devem de ser tratados com o maior carinho. São preciosos. E como qualquer preciosidade devem de ser protegidos. Ninguém tem culpa de se sentir atraído, apaixonado ou mesmo encantado - mesmo que não correspondido. Acontece. 

Uma outra curiosidade: não nos interessamos por quem se interessa por nós. Não à partida, mas o oposto, ou pelo menos, o que nos rejeita numa primeira fase - com as devidas excepções. O fruto proibido continua a ser o mais apetecido. E esta lei que não se explica merecia ser autuada como um crime gravíssimo, punida pelas leis mais severas. 

Se temos alguém que nutre por nós um carinho extremo e disposto a fazer-nos felizes porque a tentação tem de morar ao “lado”? 

Criamos uma esperança baseada em supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas, de forma inconsciente nas pessoas que nos rodeiam.  Sentimentos que se confundiram numa fase mais carente. O não corresponder das expectativas na hora da verdade e o fazermos desabar  - ou desabar - perante a verdade devastadora. Quando acharam que o caminho era aquele, quando as famosas borboletas deixam o casulo para se afirmar e  não foram correspondidas. A desilusão. O recomeçar de uma procura, de uma busca - do tal tempo que achavam que iam recuperar, e nós - espelho da dura verdade  - fazemos um `call´ ao `allin´ e levamos na mão uma sequência real. Matamos o jogo. E muitas vezes, só nesse ponto percebem que não foi ´bluff´.
E a alteração comportamental - inevitável - dos esclarecidos amigos. Este sentimento por si só já é maravilhoso. Preservem. Separem o trigo do joio. A vida é feita de relações, não podem ser todas amorosas. As amizades - as verdadeiras - são pilares fundamentais na estrutura de um ser. 
Incomoda-me acreditar que temos um destino traçado, recuso-me ser uma marioneta da minha  própria vida. Aceito, não com naturalidade, mas com maturidade o que o destino me for reservando. E tento ser feliz em cada fase, a cada obstáculo. 
Um sentido pedido de desculpas aos que magoei. Não por querer. Mas pelo conjunto de factores que não abonaram a favor em determinada fase. Aos que - agora - continuo a magoar porque não sou capaz de aceitar uma condição só porque sim. Desculpem, por acreditar que não há idade para amar.  Desculpem se vos desiludi. Aos que não amei da mesma forma, mas amo de uma outra. Desculpem, mas vou continuar à espera - dele.
Não devemos de criticar, julgar nem cobrar, muito menos quando envolve sentimentos. 
Sabem porquê?
Acontece sempre aos outros, até que um dia, nós somos os outros de alguém.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Proposta (In) decente!

Tendo feito parte da minha e da vida de alguns, gostava que me brindassem com a vossa presença num evento. As opções que vos proponho são: jantar, convívio ou um sunset  a organizar, o local dependerá da adesão, para isso lancei uma sondagem (lado direito do blog), votem em consciência! - As eleições também deveriam de ser assim, talvez diminuíssemos a percentagem de abstenção.

Independentemente do número de adeptos gostaria ainda de poder contar convosco de forma a que neste dia também pudéssemos ajudar uma associação sem fins lucrativos com alimentos.

Na minha opinião seria interessante cruzar tantas pessoas numa mesma fase num mesmo sitio, trocarmos ideias e fazermos novas amizades.


Gostava muito de poder conhecer os que seguem o meu blog com tanto carinho.


Directamente para cada um de vocês o meu sentido obrigada!


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Dia D!

Se há em mim todo um desejo de criar uma ligação - de preferencia para a vida - uma serie de questões se levantam. Não sei se devido ao cansaço ou pensamentos provenientes de um interior sequioso de tanta coisa,  dei por mim a pensar e uma vez mais a partilhar receios e desejos. 

Há uns meses atrás, num banal dia de compras no dia da mulher, acabei à conversa com a extremamente simpática e profissional Senhora que me atendeu. Não me recordo a idade mas estava uns anos acima da minha, não creio que o suficiente para poder ser minha mãe. As conversas são como as cerejas e de um vestido chegamos às coisas da vida e de uma relação. Alguns desabafos - acontece-me com frequência quando vou às compras, não sei ao certo o motivo, mas simplesmente acontece. Falo, oiço e acabámos mesmo por comentar algumas inconfidências femininas. E assim foi. Fiquei a saber que a Senhora tinha uma relação, mas que gostava de a ter em casas separadas. E falou das vantagens e desvantagens!

Na altura pensei que fazia sentido o discurso. Outra idade, outras vivências e falta de disponibilidade para a função de dona de casa no sentido de ter a obrigação de lavar cuecas e passar a ferro. Compreendi o ponto de vista e discordei porque penso em constituir família, repartir tarefas e ter “o” pai a acompanhar tudo.


E foi ao pensar voltar à loja que recapitulei tudo e fiquei a pensar nos prós e contras de morar juntos e partilhar um mesmo espaço. Nunca vivi junta. Só mesmo em férias e fins-de-semana! O que torna tudo muito cor-de-rosa. Não chegámos ao ponto de saturação nem tão pouco de arrependimento. 

E o meu lado dramático despertou.


É fundamental haver respeito de parte a parte. Sim, claro. É muito bonito na teoria. Mas por exemplo, não vai haver a altura de reflexão a sós após uma discussão, porque afinal a partilha passa por ai e é um espaço comum. Ou um fica na cozinha até passar a neura e o outro na sala? É que só sei lidar com a parte em que cada um vai para a sua casa e falamos umas horas mais tarde ou vemos-nos no dia seguinte. Não nos vamos chatear porque ele quer ver a bola, mas se for do clube do outro lado da segunda circular e só vir o respetivo canal, já me vai incomodar e então como resolvemos? Duas televisões? Sorteamos? É à semana? Só vemos as series em comum? Deixar a tampa da sanita aberta não me incomoda, mas deixar a cozinha desarrumada já não vou achar piada.  Há um plano para minimizar estas catástrofes familiares antes que aconteçam sem recorrer a produtos químicos? - por acaso há e manhã digo-vos qual! “Ah e tal adoro fazer-lhe o pequeno-almoço” sim, claro. Mas se morarem juntos, ele/ela vão fazer todos os dias o pequeno-almoço? - Se sim, digam que eu quero muito saber o segredo. Como é que falo com a minha melhor amiga, sem que ele oiça? Duplicam os jantares semanais? 

O segredo está no pacote “tudo incluído” do amor? Que inclui: paciência, cedência, ajustes de parte a parte? É que me soa tão a cliché que só posso ser uma insensível.


Se bem que, acordar em “conchinha" todos os dias vale tudo… Ou isso também muda!?!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Socorro! Estou a apaixonar-me.

Costumo utilizar a expressão de que : a minha vida é como um GPS está constantemente a… recalcular - a rota!

A  minha confiança desmoronasse sempre que penso na possibilidade de me voltar a apaixonar. 

Há escassos segundos em que penso “não quero!!” , depois volto a ser humana, e tanto quanto a minha consciência e bom senso me permitem - assumo - a verdade é que morro de medo!

Na fase - de sempre - em que me sinto melhor com a minha “solteirice” , em que vivo em perfeita harmonia comigo, sinto-me a fraquejar perante um cenário, que não sendo, parece novo.

Oiço o eco de um medo. Não sei se de falhar e uma vez mais os anos passarem ao lado. Se de acertar e dar uma volta radical à minha vida. Se é a adaptação que me assusta ou se é perder a liberdade que tanto prezo e que foi tão difícil conquistar que me apavora. Tantos “ses” que mais me sinto uma adolescente, com medos.

Quando as conversas se estendem mais do que habitualmente permito. Quando dou por mim a pensar várias vezes ao dia em como seria e se valerá a pena o risco. Quando perco o controlo da minha autonomia e me sinto a quebrar, anestesiada pelo desconhecido. 

Se depois dos trinta e com uma bagagem imensa atrás - das vantagens e desvantagens - ficamos muito mais seletivos e exigentes, certo é que há coisas que não controlamos e que me/nos - e não é o NOS da fusão - fogem entre os dedos. Ou se vive ou se esquece. E é essa linha - ténue - o risco que nos predispomos ou não a correr, que fará a diferença. 

Gostava de minimizar a margem de erro. De acertar. De poder prever o futuro e fazer o que é certo. 

Às vezes parece que sou à prova de bala, mas não sou à prova do amor.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Final de temporada...

Em semana da final da Liga dos Campeões em Lisboa, e uma semana depois do final da época desportiva, dei por mim a fazer uma comparação...

O fim de um ciclo. Princípio de outro. Despedidas e contratações.

Adoro futebol. Acompanho outras modalidades mas é o desporto rei o meu preferido. Sei que não é muito comum nas mulheres. Mas o ambiente de um jogo de futebol é arrepiante! Os cânticos! Os vinte e seis protagonistas em campo absorvem qualquer pensamento. A concentração dos milhares que assistem e o êxtase de um golo! É uma terapia. Por mais estranho que pareça.

Como diz o hino do meu clube “dos netos aos avós” e assim é. Não me lembro de escolher a cor do coração. Desde de sempre que vou ao estádio - é o único sítio em que não há fila para a casa-de-banho das mulheres! - e acompanho religiosamente o que acontece no meu e na maioria dos clubes europeus. O meu irmão sempre esteve ligado a esse mundo e de uma forma natural o tema "futebol" sempre foi tema de conversa familiar. Há alturas em que gostava de ser homem, era a minha única hipótese de ouvir um estádio a gritar o meu nome... Ou simplesmente ir ao centro do relvado com casa cheia. Por mais estranho que continue a parecer.

E foi no último Domingo de jogo da época que já terminou - em que fizemos uma brilhante temporada - que percebi que frequento um dos sítios em que há mais homens por m2 e nunca tinha pensado nisto como um ponto em comum com o sexo oposto.

Uma relação é como um jogo de futebol em que contratamos pessoas - sem sequer nos apercebermos - substituímos e até expulsamos - umas por acumulação de amarelos outras com vermelho directo!. Feliz ou infelizmente há o momento em que seguimos para prolongamento e inevitavelmente alturas em que perdemos e outras em que ganhamos nas grandes penalidades. Há momentos decisivos e cada ponto perdido - ou roubado! - pode fazer a diferença no final da classificação.

Errar é humano. Só erra quem vive e só falha quem está lá para marcar. Não podemos condenar ninguém por errar. Nem condenar alguém por falhar. Desde que desempenhem bem os papeis que têm. É revoltante a injustiça de um fora de jogo mal assinalado ou de um golo limpo anulado. Mas é capacidade de dar a volta ao jogo com estas adversidades que tornam o sabor da vitória tão deliciosa. Tal como no jogo da vida. Se bem que a injustiça de uma má atitude tenha sempre um sabor amargo. E não se esquece. Nem no final da época.

Gerir uma relação, seja ela qual for - de amizade, familiar ou um amor - é como ser presidente de um clube. Onde é difícil dissociar a razão do coração. Onde as decisões podem interferir com todo um ciclo de vida. A nossa vida e a vida dos outros. E é esse o grande desafio que temos diariamente. É por isso que devemos viver a vida com consciência, para que não falhemos “o” penalti nos 90´da final da Liga dos Campeões  da nossa vida!

Que venha a próxima época, estou tão entusiasmada por voltar a jogar a "Champions League"!

domingo, 4 de maio de 2014

Um dia especial...

Não me incomoda não ter uma relação, sei que mais cedo ou mais tarde vai acontecer. Com o avançar da idade tudo acontece - naturalmente - com maior rapidez. Do coração, vivo muito bem com essa condição. Mas o que me faz pensar é que vou ser uma mãe mais velha do que gostaria.

A minha mãe foi precoce neste sentido. O que faz com que tenhamos somente dezassete anos de diferença. Fazendo contas, de forma divertida – se fosse hereditário - eu já poderia ser avó! Mas, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E cá estou eu a contrariar a cronologia da árvore genealógica.

Fico felicíssima quando as minhas amigas/os anunciam a boa nova e amo os filhos deles. Acompanho as evoluções e preocupações. O que acaba por me tranquilizar para umas coisas e preocupar para outras. Como se tivesse workshops completos e variados sobre o tema. O que me aguça mais o desejo.

Não sonho com príncipes encantados montados em cavalos brancos nem com pessoas perfeitas. Tento esquecer os estereótipos e ajustar a “chek list”. Mas muito provavelmente, a minha exigência não facilita. Paciência. Estou tão calma que me dá a serenidade necessária para escolher com cabeça e com o coração. Tenho saudades do estômago a borboletar. Mas quero o “tal”. Não mais “um”. Quero a pessoa certa para ser o pai dos meus filhos e o companheiro para a vida.

Se pudesse ter escolhido, teria sido mãe por volta dos trinta. Uma boa altura, penso. Antes não. Precisava deste tempo que tive para mim. Também acho que não teria a maturidade necessária para a educação que hoje sei que gostava que o meu filho tivesse. Por outro lado, não fui mãe porque não quis – já dizia a “bruxa”. Mas só sei e acredito que fiz as escolhas certas, porque não aconteceu. E ainda bem. Agora sei que vou desempenhar tão melhor o meu papel.

O meu relógio biológico há muito que toca. Sinto-me incompleta.

Não perco noites a pensar, mas suspiro… Digo-o com um sorriso: Príncipe aparece, quero tanto ser mãe!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Amigos - pouco - coloridos

Num jantar em que por certo, muitos bons rapazes ficaram com as orelhas em chamas, a conversa fluía de uma forma maravilhosa, o relógio e os telemóveis não existiam e tudo parecia perfeito. Até que o tema foi aprofundado e no meio dos vários testemunhos percebi que há quem não se sinta nada confortável com o actual estado civil. E que lidam da pior maneira possível com o assunto. A meu ver, devemos de gostar muito de nós. Relembro a velha máxima de que: “se não gostarmos de nós, quem gostará?”

Há um grupo de pessoas que lida bem com os amigos coloridos, que os têm com plena noção de que é tudo muito físico, embora haja mesmo carinho entre as partes, mas que por algum motivo – dos mais variados – não avançam para outro nível. As que perdem - ou ganham! - o controlo e que acabam na Igreja. E as que não lidam nada bem com estas modernices. E é neste último grupo que me vou focar.

A vulnerabilidade faz com tenham comportamentos contra natura. São mulheres inteligentes, realizadas profissionalmente, bonitas, que tinham tudo para estar de bem com a vida. Não fosse esta não lhes facilitar a única coisa que elas desejavam: uma relação. Elas só se querem sentir amadas e acabam por se sentir usadas. Ouvi relatos de situações impensáveis neste mundo tão avançado tecnologicamente para umas coisas e tão parado ainda para outras. Uma nuvem negra mudou a paleta do arco-íris destas mulheres tão fortes aos olhos dos outros e no fundo tão frágeis.

Frágeis, porque se sentem carentes. Não por inocência. 

Quase todas acabavam com “mas sentia-me sozinha”. Compreendo. Feliz ou infelizmente. Mas do que adianta ter companhia para um par de horas se no fundo não é o que queriam? O desespero – ou a pressa – nunca foi amiga da perfeição. E uma relação forçada certamente não será a parceira ideal. O "não" é um direito que nos assiste. 

Refiro-me particularmente as mulheres, muito provavelmente também acontece com o sexo oposto. Mas tenho a ideia de que a nível sexual os homens estão mais resolvidos. Se usados, lidam melhor com o assunto.

O mundo virtual tem inúmeras vantagens. Eu escrevo de onde me sentir confortável, de pijama, descabelada. Não importa. É onde me apetece. Conforta-me e leva-me para longe. E essa a minha filosofia. Faço o que me apetece. Não o que querem. É uma das vantagens! Não sou nenhuma santa, nem quero vender essa imagem. Sou uma mulher, ciente das decisões que tomo. Tomo-as com a liberdade que me é permitida. E durmo de consciência tranquila e de alma lavada.

Não está na mão de ninguém, só na vossa. 

A carência torna-as alvos fáceis. Quando o que procuram é tão-somente um colo. Um abraço. Um beijo!  

segunda-feira, 24 de março de 2014

Uma paixão!


Não cozinho por obrigação, mas por gosto. Devoro livros de culinária e não perco um programa de televisão relacionado com o tema. Aponto as receitas, reinvento e na maior parte das vezes até corre bem. É a minha terapia quando o dia corre mal e a minha paixão quando o dia corre bem. Gosto em especial de doces e bolos. Adoro chás e ervas aromáticas. Mas as massas são a minha especialidade.

Gosto de todo o tipo de cozinha, se bem que a Japonesa me conquistou e tenho alguns problemas com a Italiana, visto que não gosto de queijo – não contem a ninguém mas ultimamente digo que sou alérgica, porque quando referia esta pequena esquisitice – grande aos olhos de muitos - via o desdém nos olhos de quem recebia a informação ou o silêncio ensurdecedor de quem ouvia o pedido por telefone. Mas respeito tanto quem gosta, que quando cozinho acrescento o ingrediente proibido. Na verdade até fica com melhor aspecto, mas o cheiro, não há volta a dar. Tenho o dobro do trabalho mas nada a que já não esteja habituada. E acho um crime privar alguém só porque eu odeio o dito.

Se há vantagens, é na cozinha.

O frigorífico só tem coisas boas, ninguém se queixa do tempero, da cozedura e tão pouco dos horários. Digo isto, mas eu adoro cozinhar para mais pessoas, no entanto, sou sempre a minha grande crítica e vou apurando as novidades até ter razões para fazer brilharetes.

Tenho como regra ter sempre sopas diferentes congeladas, para o caso da preguiça apertar. Sempre que faço uma nova congelo duas doses, desta maneira a base para uma refeição está sempre pronta e ainda tenho opção de escolha. O complemento improviso de acordo com o tempo e com a fome. Por isso, um truque é ter sempre o básico: salada, legumes, massas, farinha, ovos, atum, cogumelos, tomate, ervas aromáticas secas e uns vazos com ervas aromáticas frescas, por exemplo. Têm prazos longos e alternados duram algum tempo. No caso das ervas frescas, para além de serem muito praticas e fazerem a diferença no toque final, aromatiza a cozinha. Carne e peixe separados por doses, para que facilmente se cozinhe. Saber fazer massa quebrada, folhada e de pizza também dá um jeitão. Evito umas idas de última hora e apressadas ao hipermercado. Mesmo que tenham de levedar, aproveito para preparar os restantes ingredientes. Se não, ter congeladas, é sempre uma alternativa.

Outros artifícios – e uso bastante – gelo aromatizado. Ideal para bebidas e com o Sol a espreitar fica bem em qualquer sumo de fruta ou bebidas digestivas. E ainda, azeite aromatizado congelado em couverts, práticos para refogados. E aromatizado - mas não congelado - para saladas e outros temperos.

Aproveito a hora das refeições para fazer algumas actualizações do dia. Sentar-me à mesa é dos meus grandes prazeres. Se bem que abro umas excepções - de vez em quando - e como com a bandeja no sofá. Acontece quando estou com as minhas séries em atraso. Não sei é bom ou mau, mas sabe tão bem!

Compreendo que nem todos gostem de cozinhar e que por isso optam pela comida congelada e umas sanduiches básicas. Ou então, pelo pronto a comer mais próximo. Não querendo estragar o negócio a ninguém, acho que é tudo uma questão de hábito. Para quem está neste grupo, aconselho que comecem a desfolhar uns livros de culinária, principiem por receitas rápidas e saudáveis. Aos poucos vão descobrir que comem melhor, se mantêm entretidos enquanto, pelo menos, tentam e se resultar vão ficar tão entusiasmados que vão querer experimentar outras receitas. E quando derem por vocês estão uns chefes - da vossa casa!

A minha refeição preferida é o pequeno-almoço. Gostava tanto de acordar e ter… pão fresco sem sair de casa! Não, não era fazer, era assim ele cair do céu - estou mesmo a falar do pão. Não sou assim tão sonhadora, pois não? – Continuo a falar do pão - juro!

Se preferia partilhar? Preferia, mas não era a mesma coisa.