Sabem aquela altura em que somos estudantes - e achamos que é uma fase terrível, e só percebemos que afinal era mesmo das melhores - como nos diziam tantas e tantas vezes - quando mudamos para o estatuto de trabalhadores com responsabilidades acrescidas? - Pois bem, no final do ano lectivo dizia sempre: para o ano, vou começar a estudar mais cedo e organizar tudo atempadamente. Na altura dos exames vou estar mais descontraída sem estas pressões de fim de ano. Lembram-se? Também vos aconteceu? Conversa de final de ano - e de inicio - mas a verdade é que acabava sempre da mesma maneira, sem alterações de maior. Assim foi, até à última frequência.
O mesmo se passa com as conversas das solteiras que muito prometem e poucas cumprem. A conversa é sempre a mesma "quando tiver namorado, ele vai ter de respeitar o meu espaço, não abdico dos nossos jantares" a outra diz "ah, sim! Nada de se meter nas minhas amizades, vocês já existiam antes de ele sequer aparecer" e assim sucessivamente. Mas como sei o que a casa gasta, deixei em aberto a minha opinião. Só ouvi - eu que consigo ganhar a léguas o meu papagaio.
Eu prometo continuar a jantar tantas vezes quanto as necessárias, mesmo que isso implique discussões e cenas de ciumes. [Prometo compensa-lo.] Prometo compreender quando o amigo precisar de um ombro, assim como ele terá de compreender quando as minhas amigas estiverem desiludidas ou tristes e precisarem de alguém que as oiça sem cobrar e muito menos julgar. Ou felizes e quiserem celebrar. Vale tudo, se elas precisam.
O pior, é que estas promessas sentidas, não ditas em vão, acabam por desvanecer quando encontramos alguém que nos faça palpitar o coração. As atitudes mudam, as desculpas aumentam e na na hora da verdade falhamos, como amigas. Não percebemos o grau de egoísmo na hora, nem na semana seguinte e muitas vezes nem nos anos que se seguiram, só percebemos quando estamos do outro lado, do lado das magoadas, decepcionadas que tudo o que precisavam era da amiga predisposta a apagar o fogo após uma explosão, onde se procuram os pedaços de um coração. Ou simplesmente, quando, ainda em brasas, precisa de um balde de agua fria para serenar a dor de um ferida profunda. Já estive nos dois lados desta história, e aprendi a lição.
Se a base de uma relação passar pelo respeito e compreensão, tudo na vida tem outro valor. Todos os amores são importantes. Todos!
E aos "namorados" que não compreendem o que tanto se faz num jantar de amigas, eu esclareço: sim, também falamos do sexo oposto - de vocês, das surpresas e das atitudes menos boas, julgamos ou amenizamos, depende - mas na maior parte das vezes tudo o que se faz de errado é falar de trivialidades, algumas futilidades, rimos das coisas mais simples, abstraímos-nos de um mundo cruel, invejoso e maléfico lá fora. Só.
E aos "namorados" que não compreendem o que tanto se faz num jantar de amigas, eu esclareço: sim, também falamos do sexo oposto - de vocês, das surpresas e das atitudes menos boas, julgamos ou amenizamos, depende - mas na maior parte das vezes tudo o que se faz de errado é falar de trivialidades, algumas futilidades, rimos das coisas mais simples, abstraímos-nos de um mundo cruel, invejoso e maléfico lá fora. Só.
Aos meus amores relembro, porque nunca é demais: a minha porta está sempre aberta. Não importa a hora, nem o motivo. Se precisam de cá bater. Eu abro.
