quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Queres jantar?

Descobri há uns dias que nunca tinha convidado alguém para jantar. Não me refiro a amigas, nem amigos. Tão pouco à família. Mas a alguém que despertasse em mim um interesse especial, uma vontade de conhecer melhor. Não me estou a pavonear de tal feito. Simplesmente percebi que estou mal habituada.

Não sabia sequer como estruturar a frase. Apaguei vezes sem conta. E até perguntei a uma amiga: como se convida alguém para jantar?! E ela respondeu: Simples! Queres jantar? A simplicidade da escrita complicava ainda mais o meu primeiro convite. E a extrema dificuldade em ultrapassar essa barreira deixava-me um nervoso miudinho no estômago e a mão trémula. 

A minha habitual descontracção e positivismo para com a vida, desaparecera perante uma trivialidade para alguns, uma completa novidade para mim. 

A cada tentativa de escrever a frase certa, pensava na possível resposta negativa e isso fazia-me recuar. Depois, relembraram-me de que eu já as dera também e que ninguém morreu por isso. Faz parte.

E esta curiosidade fez-me pensar, para variar.

Pior, percebi que não foi só este convite que não fiz. Nunca fiz convites simplesmente. Nem para um café, nem para um cinema, nem para a praia, nem nas redes sociais, nada! Estou preocupada. Provavelmente sou um bicho em cativeiro com a mania que sou social. Pensei melhor. Sabem, não precisei. Não precisei de conquistar. Aliás, também percebi, que não sei conquistar. Sei lidar com a conquista, geri-la. Conquistar, não sei. Espero que hajam livros de cursos intensivos: como conquistar em 10 dias. Sei lá, secalhar há! 

E por vezes a mão cheia de nada na altura do convite, até se pode transformar numa mão cheia de muito. Mesmo que não seja no que se esperava inicialmente. 

Não ando ao sabor dos desejos e convites - dos outros -, simplesmente nunca senti vontade e/ou necessidade. E sentia orgulho de não ter corrido atrás de ninguém - na fase da sedução, claro. Que palermice. Ou não. Fui conquistada pelas pessoas que tropeçaram na minha vida.

Será a minha vez de tropeçar na vida de alguém? 

Se se tratasse de um filme, veríamos a reacção dos vários personagens, sendo um filme da vida real, temos de aprender a lidar com os acontecimentos, com o bom e o mau que poderá resultar da pergunta. 

Quantas oportunidades se perdem na vida, pelo arrastar e rasurar - pelos mais variados receios - de uma simples frase?

Inspira, expira... Queres jantar hoje? 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As tão desejadas...

A contagem decrescente chegara ao fim, estava oficialmente de férias!

Ao contrário de todos os outros anos, optei por uma semana sozinha. Precisava de uns dias para pensar. De me encontrar no meio de uma tempestade de Verão. E embora não lide muito bem com os planos prolongados sozinha, este ano a excepção foi regra e aventurei-me. A bem da verdade ia para um lugar que me é familiar - que adoro - e teria sempre a praia como companhia. Assim foi. Nos primeiros dias estranhei, mas depois entranhei e fui percebendo as vantagens.

Decidi explorar mais a zona, descobri refúgios paradisíacos. Todos os dias elegi uma praia diferente, em pleno Agosto mudava de praia, mas os habitantes temporários em pouco divergiam. Entre as famílias típicas, os grupos de amigos que contavam as experiências das noites anteriores, - que eu devo de estar a ficar velha porque já não me vejo a fazer metade! - os casais que discutiam, as crianças que gritavam e as que brincavam, os pais que reclamavam, o tic tac das raquetes, os senhores das bolas de Berlim (com creme!) e das caipirinhas, os vendedores ambulantes, o rebentar das ondas, o Sol e eu. Todos tinham de se ajustar uns aos outros. Menos eu. Fiz os meus horários, pude alterar de acordo com as minhas vontades. Mergulhei os problemas, as duvidas e os planos nas mais geladas aguas de sempre a Sul. Vi pores-do-Sol maravilhosos. Fiz compras de Verão excepcionais, com toda a calma do mundo, sem me preocupar com o relógio. Descansei. 


Recarreguei baterias para encarar o que vier com o discernimento necessário para tomar as decisões mais acertadas.

Dizem que se a vida nos dá limões, devemos fazer uma limonada. Tudo tem um lado positivo e eu até gosto do amargo do limão.

Não vou dizer que foram as melhores férias de sempre, claro que não! Mas foram - e ainda estão a ser - aquelas que vou recordar como minhas, só minhas, minhas até ao fim!

sábado, 2 de agosto de 2014

Prometo!

Sabem aquela altura em que somos estudantes - e achamos que é uma fase terrível, e só percebemos que afinal era mesmo das melhores - como nos diziam tantas e tantas vezes - quando mudamos para o estatuto de trabalhadores com responsabilidades acrescidas? - Pois bem, no final do ano lectivo dizia sempre: para o ano, vou começar a estudar mais cedo e organizar tudo atempadamente. Na altura dos exames vou estar mais descontraída sem estas pressões de fim de ano. Lembram-se? Também vos aconteceu?  Conversa de final de ano - e de inicio - mas a verdade é que acabava sempre da mesma maneira, sem alterações de maior. Assim foi, até à última frequência. 

O mesmo se passa com as conversas das solteiras que muito prometem e poucas cumprem. A conversa é sempre a mesma "quando tiver namorado, ele vai ter de respeitar o meu espaço, não abdico dos nossos jantares" a outra diz "ah, sim! Nada de se meter nas minhas amizades, vocês já existiam antes de ele sequer aparecer" e assim sucessivamente. Mas como sei o que a casa gasta, deixei em aberto a minha opinião. Só ouvi - eu que consigo ganhar a léguas o meu papagaio. 

Eu prometo continuar a jantar tantas vezes quanto as necessárias, mesmo que isso implique discussões e cenas de ciumes. [Prometo compensa-lo.] Prometo compreender quando o amigo precisar de um ombro, assim como ele terá de compreender quando as minhas amigas estiverem desiludidas ou tristes e precisarem de alguém que as oiça sem cobrar e muito menos julgar. Ou felizes e quiserem celebrar. Vale tudo, se elas precisam.

O pior, é que estas promessas sentidas, não ditas em vão, acabam por desvanecer quando encontramos alguém que nos faça palpitar o coração. As atitudes mudam, as desculpas aumentam e na na hora da verdade falhamos, como amigas. Não percebemos o grau de egoísmo na hora, nem na semana seguinte e muitas vezes nem nos anos que se seguiram, só percebemos quando estamos do outro lado, do lado das magoadas, decepcionadas que tudo o que precisavam era da amiga predisposta a apagar o fogo após uma explosão, onde se procuram os pedaços de um coração. Ou simplesmente, quando, ainda em brasas, precisa de um balde de agua fria para serenar a dor de um ferida profunda. Já estive nos dois lados desta história, e aprendi a lição.

Se a base de uma relação passar pelo respeito e compreensão, tudo na vida tem outro valor. Todos os amores são importantes. Todos!

E aos "namorados" que não compreendem o que tanto se faz num jantar de amigas, eu esclareço: sim, também falamos do sexo oposto - de vocês, das surpresas e das atitudes menos boas, julgamos ou amenizamos, depende - mas na maior parte das vezes  tudo o que se faz de errado é falar de trivialidades, algumas futilidades, rimos das coisas mais simples, abstraímos-nos de um mundo cruel, invejoso e maléfico lá fora. Só. 

Aos meus amores relembro, porque nunca é demais: a minha porta está sempre aberta. Não importa a hora, nem o motivo. Se precisam de cá bater. Eu abro.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O primeiro, é sempre o primeiro!

Estava nervosa, confesso. Morria de vergonha de encarar aqueles que embora sigam o blog, não faziam ideia de quem estava por trás de cada texto. Fui-me abstraindo de que era a primeira vez que os estava a ver, e a cada troca de palavras. A cada frase. A cada sorriso que via esboçado no rosto de cada um, percebia que tinha sido o impulso mais acertado dos últimos tempos. O Sunset estava a ser um sucesso!

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O Sol também compareceu à chamada e estava montado o cenário para aqueles que tiveram  vontade - disponibilidade - e a coragem necessária para ir ao encontro dos desconhecidos. Desconhecidos nos primeiros escassos minutos, e que passaram a futuros amigos - arrisco dizer. Só quem lá esteve para sentir a empatia, a cumplicidade e afinidade que se gerou.

Haviam seguidores desde os arredores de Lisboa a Beja. Das mais variadas profissões. Em comum: a faixa etária, uma bagagem de histórias, vivências e o blog.

O espaço fora assaltado pela boa disposição de quase uma centena de seguidores do blog – eu cumpro! - excelentemente acompanhados pelas várias sangrias, gins e outros que tais, onde se apresentaram - tipo alcoólicos anónimos - trocaram ideias, experiências e testemunharam um pôr-do-sol impar ao som de um dos Dj´s mais famoso, que a pedido, nos fez viajar no tempo. Musicas que todos cantarolavam e num tom bem desafinado se divertiam.  

E o Sunset continuava um sucesso. Era só o que pensava sempre que olhava em volta e via, todos em constante sintonia, em pura harmonia.

As conversas fluíam, de entre os enigmas e mais histórias com os resistentes à hora de jantar. A animação estava garantida e é para repetir.

A todos os que estiveram presentes o meu mais sincero agradecimento. Encheram-me a alma, numa tarde que acabou numa noite quase dia.

"There are no strangers here, only friends you haven´t yet met"

sábado, 19 de julho de 2014

Problemas de um coração.

Esta semana passei mais de metade das horas dos dias no hospital - naquele que foi noticia por razões menos positivas.

Durante essas horas, intermináveis para quem espera, bebi até à última gota as historias. A historia de cada um dos que na hora de medo, contavam o que de mais marcante viveram. E todas elas- todas! - acabavam com uma historia de amor.  Do mais calmo ao mais irreverente. Dos que ainda tinham as suas mais que tudo ao lado aos que as recordavam. Todos falavam da importância de um pilar e de uma família. 

Os olhos brilhavam quando o tema era o lado sem dor do coração que agora fraquejava.

Em comum todos tinham: um coração muito debilitado e as famílias com o coração na mãos.

E de todas as que conheci. Houve uma especial.

O “Bom Vivan” como ele mesmo se apelidou. Tem 68 anos, nascido e criado num dos bairros mais problemáticos de Lisboa. Teve a escola intensiva da vida. Dizia que a tinha vivido da melhor forma que pode. Fez tudo o que lhe apeteceu. Mas que feliz, feliz só tinha sido nos 8 anos que fora casado com a mulher que enfrentou tudo e todos por ele. Sem olhar às origens nem aos “rotolos”. Uma mulher que sendo de uma classe social bem diferente, se limitou a ouvir os batimentos acelerados do seu amor - adoro! Uma doença prolongada roubou-a prematuramente. Não teve filhos. Mas que se agarrava a esse amor para recuperar do AVC - depois de ter superado a grande prova da operação - que lhe roubou a fala durante semanas. O orgulho e saudade estampados no rosto, na voz e nas lágrimas que discretamente limpava. Nunca mais o vi, espero que esteja bem. A viver a vida.

E o meu avô. Não tão fácil de apresentar, porque é o meu. Os seus 80 anos de historias batiam a léguas os Lusíadas em aventuras, um dia faço uma compilação tipo a Anita. Já estou a imaginar os títulos “o meu Avô na …”.

Casado há 58 anos, com filhos, netos e bisnetos. Com uma vida repleta de altos e baixos, mas com uma força de viver invejável. O problema dele não era que alguma coisa corresse mal na cirurgia. O grande drama, era se a minha avó se voltava a apaixonar. Ou seja, uma cena de ciúmes antes desta grande prova, a do coração - no verdadeiro sentido da palavra.

 Espero que cirurgia cárdio-torácica que o encorajamos a fazer para que recuperasse a qualidade de vida perdida nos últimos tempos, seja mais uma a contar no próximo jantar de família, combinado para quando regressar a casa. O sorriso com que acordou, fez-nos respirar de alivio. Os dois avc´s que se seguiram quando já se fazia a contagem decrescente para ter alta, apertaram-nos o coração. A esperança de que tudo vai correr bem - e que o meu Avô não se vai ter de preocupar com a concorrência - encoraja-nos a cada visita. O meu contador de histórias está agora com uma nova dicotomia. Tão difícil de entender quanto de aceitar. Tudo tinha corrido tão bem. A sua energia fora também roubada pelos escassos segundos como se de um sismo se tratasse - ainda que de escala reduzida - roubou-lhe a fala e o movimentos do membro superior direito. Podia ter sido pior, podia. Mas também podia não ter acontecido e tudo ter sido um sucesso. É a vida.

Não há idade para amar. E um amor, é sempre um amor.


Amo-o o tanto, que até prometi esquecer o que ele me disse no Natal.

 “Vou pedir ao tempo, que me dê mais tempo,” tenho de olhar para si.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A verdade devastadora!



É tão difícil dizer que não estamos interessados quanto nos declararmos.
Se por um lado, dizermos a alguém que “vamos ser só amigos” fere. Declararmos-nos, cria um frio que percorre a espinha na incerteza de que do outro lado não vem a dolorosa e afiada frase que tentamos - interiormente - acreditar que não vai ser dita. Enfrentarmos a verdade de cabeça erguida e aceita-la com a naturalidade que merece nem sempre é fácil. Orgulho ferido ou simplesmente negação. Do outro lado, por vezes, a ingenuidade de um sentimento que simplesmente não existe. Mesmo que, muitas vezes, até gostávamos que existisse - seria tão mais fácil.
Os dois lados são extremamente complicados, mas ninguém disse que a vida era fácil.
Li, no outro dia, um artigo sobre as leis da atração  http://terapiassexuais.blogspot.pt/2014/06/as-leis-da-atracao.html e ainda assim continuo pouco esclarecida - a teoria está lá. A verdade é que é algo que não controlamos e daí o que agrada a uns, não agrada a outros. Não se explica, sente-se. O sangue fervilha. E o frio depararece num caldeirão de emoções.

Extremamente curiosa a parte em que “ Sabia que os homens podem interessar-se por mulheres diferentes dependendo se é manhã ou tarde? E que as mulheres podem sentir-se atraídas por homens de tipos muito distintos consoante a altura do mês? É a química a funcionar e, embora não se saiba ainda "da missa a metade", já muito é explicável e até mensurável." 
Prometo testar a teoria! E perceber em que perfil eu me encaixo.
A verdade é que os sentimentos, puros e sinceros não se explicam mas requerem respeito. E devem de ser tratados com o maior carinho. São preciosos. E como qualquer preciosidade devem de ser protegidos. Ninguém tem culpa de se sentir atraído, apaixonado ou mesmo encantado - mesmo que não correspondido. Acontece. 

Uma outra curiosidade: não nos interessamos por quem se interessa por nós. Não à partida, mas o oposto, ou pelo menos, o que nos rejeita numa primeira fase - com as devidas excepções. O fruto proibido continua a ser o mais apetecido. E esta lei que não se explica merecia ser autuada como um crime gravíssimo, punida pelas leis mais severas. 

Se temos alguém que nutre por nós um carinho extremo e disposto a fazer-nos felizes porque a tentação tem de morar ao “lado”? 

Criamos uma esperança baseada em supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas, de forma inconsciente nas pessoas que nos rodeiam.  Sentimentos que se confundiram numa fase mais carente. O não corresponder das expectativas na hora da verdade e o fazermos desabar  - ou desabar - perante a verdade devastadora. Quando acharam que o caminho era aquele, quando as famosas borboletas deixam o casulo para se afirmar e  não foram correspondidas. A desilusão. O recomeçar de uma procura, de uma busca - do tal tempo que achavam que iam recuperar, e nós - espelho da dura verdade  - fazemos um `call´ ao `allin´ e levamos na mão uma sequência real. Matamos o jogo. E muitas vezes, só nesse ponto percebem que não foi ´bluff´.
E a alteração comportamental - inevitável - dos esclarecidos amigos. Este sentimento por si só já é maravilhoso. Preservem. Separem o trigo do joio. A vida é feita de relações, não podem ser todas amorosas. As amizades - as verdadeiras - são pilares fundamentais na estrutura de um ser. 
Incomoda-me acreditar que temos um destino traçado, recuso-me ser uma marioneta da minha  própria vida. Aceito, não com naturalidade, mas com maturidade o que o destino me for reservando. E tento ser feliz em cada fase, a cada obstáculo. 
Um sentido pedido de desculpas aos que magoei. Não por querer. Mas pelo conjunto de factores que não abonaram a favor em determinada fase. Aos que - agora - continuo a magoar porque não sou capaz de aceitar uma condição só porque sim. Desculpem, por acreditar que não há idade para amar.  Desculpem se vos desiludi. Aos que não amei da mesma forma, mas amo de uma outra. Desculpem, mas vou continuar à espera - dele.
Não devemos de criticar, julgar nem cobrar, muito menos quando envolve sentimentos. 
Sabem porquê?
Acontece sempre aos outros, até que um dia, nós somos os outros de alguém.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Proposta (In) decente!

Tendo feito parte da minha e da vida de alguns, gostava que me brindassem com a vossa presença num evento. As opções que vos proponho são: jantar, convívio ou um sunset  a organizar, o local dependerá da adesão, para isso lancei uma sondagem (lado direito do blog), votem em consciência! - As eleições também deveriam de ser assim, talvez diminuíssemos a percentagem de abstenção.

Independentemente do número de adeptos gostaria ainda de poder contar convosco de forma a que neste dia também pudéssemos ajudar uma associação sem fins lucrativos com alimentos.

Na minha opinião seria interessante cruzar tantas pessoas numa mesma fase num mesmo sitio, trocarmos ideias e fazermos novas amizades.


Gostava muito de poder conhecer os que seguem o meu blog com tanto carinho.


Directamente para cada um de vocês o meu sentido obrigada!


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Dia D!

Se há em mim todo um desejo de criar uma ligação - de preferencia para a vida - uma serie de questões se levantam. Não sei se devido ao cansaço ou pensamentos provenientes de um interior sequioso de tanta coisa,  dei por mim a pensar e uma vez mais a partilhar receios e desejos. 

Há uns meses atrás, num banal dia de compras no dia da mulher, acabei à conversa com a extremamente simpática e profissional Senhora que me atendeu. Não me recordo a idade mas estava uns anos acima da minha, não creio que o suficiente para poder ser minha mãe. As conversas são como as cerejas e de um vestido chegamos às coisas da vida e de uma relação. Alguns desabafos - acontece-me com frequência quando vou às compras, não sei ao certo o motivo, mas simplesmente acontece. Falo, oiço e acabámos mesmo por comentar algumas inconfidências femininas. E assim foi. Fiquei a saber que a Senhora tinha uma relação, mas que gostava de a ter em casas separadas. E falou das vantagens e desvantagens!

Na altura pensei que fazia sentido o discurso. Outra idade, outras vivências e falta de disponibilidade para a função de dona de casa no sentido de ter a obrigação de lavar cuecas e passar a ferro. Compreendi o ponto de vista e discordei porque penso em constituir família, repartir tarefas e ter “o” pai a acompanhar tudo.


E foi ao pensar voltar à loja que recapitulei tudo e fiquei a pensar nos prós e contras de morar juntos e partilhar um mesmo espaço. Nunca vivi junta. Só mesmo em férias e fins-de-semana! O que torna tudo muito cor-de-rosa. Não chegámos ao ponto de saturação nem tão pouco de arrependimento. 

E o meu lado dramático despertou.


É fundamental haver respeito de parte a parte. Sim, claro. É muito bonito na teoria. Mas por exemplo, não vai haver a altura de reflexão a sós após uma discussão, porque afinal a partilha passa por ai e é um espaço comum. Ou um fica na cozinha até passar a neura e o outro na sala? É que só sei lidar com a parte em que cada um vai para a sua casa e falamos umas horas mais tarde ou vemos-nos no dia seguinte. Não nos vamos chatear porque ele quer ver a bola, mas se for do clube do outro lado da segunda circular e só vir o respetivo canal, já me vai incomodar e então como resolvemos? Duas televisões? Sorteamos? É à semana? Só vemos as series em comum? Deixar a tampa da sanita aberta não me incomoda, mas deixar a cozinha desarrumada já não vou achar piada.  Há um plano para minimizar estas catástrofes familiares antes que aconteçam sem recorrer a produtos químicos? - por acaso há e manhã digo-vos qual! “Ah e tal adoro fazer-lhe o pequeno-almoço” sim, claro. Mas se morarem juntos, ele/ela vão fazer todos os dias o pequeno-almoço? - Se sim, digam que eu quero muito saber o segredo. Como é que falo com a minha melhor amiga, sem que ele oiça? Duplicam os jantares semanais? 

O segredo está no pacote “tudo incluído” do amor? Que inclui: paciência, cedência, ajustes de parte a parte? É que me soa tão a cliché que só posso ser uma insensível.


Se bem que, acordar em “conchinha" todos os dias vale tudo… Ou isso também muda!?!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Socorro! Estou a apaixonar-me.

Costumo utilizar a expressão de que : a minha vida é como um GPS está constantemente a… recalcular - a rota!

A  minha confiança desmoronasse sempre que penso na possibilidade de me voltar a apaixonar. 

Há escassos segundos em que penso “não quero!!” , depois volto a ser humana, e tanto quanto a minha consciência e bom senso me permitem - assumo - a verdade é que morro de medo!

Na fase - de sempre - em que me sinto melhor com a minha “solteirice” , em que vivo em perfeita harmonia comigo, sinto-me a fraquejar perante um cenário, que não sendo, parece novo.

Oiço o eco de um medo. Não sei se de falhar e uma vez mais os anos passarem ao lado. Se de acertar e dar uma volta radical à minha vida. Se é a adaptação que me assusta ou se é perder a liberdade que tanto prezo e que foi tão difícil conquistar que me apavora. Tantos “ses” que mais me sinto uma adolescente, com medos.

Quando as conversas se estendem mais do que habitualmente permito. Quando dou por mim a pensar várias vezes ao dia em como seria e se valerá a pena o risco. Quando perco o controlo da minha autonomia e me sinto a quebrar, anestesiada pelo desconhecido. 

Se depois dos trinta e com uma bagagem imensa atrás - das vantagens e desvantagens - ficamos muito mais seletivos e exigentes, certo é que há coisas que não controlamos e que me/nos - e não é o NOS da fusão - fogem entre os dedos. Ou se vive ou se esquece. E é essa linha - ténue - o risco que nos predispomos ou não a correr, que fará a diferença. 

Gostava de minimizar a margem de erro. De acertar. De poder prever o futuro e fazer o que é certo. 

Às vezes parece que sou à prova de bala, mas não sou à prova do amor.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Final de temporada...

Em semana da final da Liga dos Campeões em Lisboa, e uma semana depois do final da época desportiva, dei por mim a fazer uma comparação...

O fim de um ciclo. Princípio de outro. Despedidas e contratações.

Adoro futebol. Acompanho outras modalidades mas é o desporto rei o meu preferido. Sei que não é muito comum nas mulheres. Mas o ambiente de um jogo de futebol é arrepiante! Os cânticos! Os vinte e seis protagonistas em campo absorvem qualquer pensamento. A concentração dos milhares que assistem e o êxtase de um golo! É uma terapia. Por mais estranho que pareça.

Como diz o hino do meu clube “dos netos aos avós” e assim é. Não me lembro de escolher a cor do coração. Desde de sempre que vou ao estádio - é o único sítio em que não há fila para a casa-de-banho das mulheres! - e acompanho religiosamente o que acontece no meu e na maioria dos clubes europeus. O meu irmão sempre esteve ligado a esse mundo e de uma forma natural o tema "futebol" sempre foi tema de conversa familiar. Há alturas em que gostava de ser homem, era a minha única hipótese de ouvir um estádio a gritar o meu nome... Ou simplesmente ir ao centro do relvado com casa cheia. Por mais estranho que continue a parecer.

E foi no último Domingo de jogo da época que já terminou - em que fizemos uma brilhante temporada - que percebi que frequento um dos sítios em que há mais homens por m2 e nunca tinha pensado nisto como um ponto em comum com o sexo oposto.

Uma relação é como um jogo de futebol em que contratamos pessoas - sem sequer nos apercebermos - substituímos e até expulsamos - umas por acumulação de amarelos outras com vermelho directo!. Feliz ou infelizmente há o momento em que seguimos para prolongamento e inevitavelmente alturas em que perdemos e outras em que ganhamos nas grandes penalidades. Há momentos decisivos e cada ponto perdido - ou roubado! - pode fazer a diferença no final da classificação.

Errar é humano. Só erra quem vive e só falha quem está lá para marcar. Não podemos condenar ninguém por errar. Nem condenar alguém por falhar. Desde que desempenhem bem os papeis que têm. É revoltante a injustiça de um fora de jogo mal assinalado ou de um golo limpo anulado. Mas é capacidade de dar a volta ao jogo com estas adversidades que tornam o sabor da vitória tão deliciosa. Tal como no jogo da vida. Se bem que a injustiça de uma má atitude tenha sempre um sabor amargo. E não se esquece. Nem no final da época.

Gerir uma relação, seja ela qual for - de amizade, familiar ou um amor - é como ser presidente de um clube. Onde é difícil dissociar a razão do coração. Onde as decisões podem interferir com todo um ciclo de vida. A nossa vida e a vida dos outros. E é esse o grande desafio que temos diariamente. É por isso que devemos viver a vida com consciência, para que não falhemos “o” penalti nos 90´da final da Liga dos Campeões  da nossa vida!

Que venha a próxima época, estou tão entusiasmada por voltar a jogar a "Champions League"!