Tantas são as vezes que dou por mim a divagar em assuntos que não sei como intitular. Outras vezes, há temas tão simples, que não me apetece chamar-lhe pelo nome próprio. Penso muitas vezes que tenho um estranho modo de vida. Mas ainda assim, não consigo ser diferente. Defendo os meus ideais com todas as forças. E há uma palavra que não consigo compreender: a infidelidade.
Recordo-me de haver alturas para tudo.
Os morangos, as cerejas, a melancia, a meloa e o melão recebiam o Verão. As laranjas prevenirem as doenças de Inverno. As castanhas em meados de Outubro e Novembro, significava que o São Martinho estava para breve. Só havia bolo Rei à venda pouco antes do Natal até ao dia de Reis. E tudo tinha outro sabor. Agora, comemos tudo quando nos apetece, sempre que nos apetece. E isso, faz com que não tenhamos de esperar pela a sua época. Bem ou mal-ditas estufas. Evoluções e modernices.
Assim são as relações modernas: despidas de preconceitos. Sem esperas. Longe das expectativas de outros tempos. Conhecem-se primeiro os sinais cravados pelo corpo, antes dos sinais da alma. Damos - literalmente - o corpo as tentações antes de dar o coração.
E se a liberdade é tão grande, porquê trair?
Nunca traí, mas já fui traída. Agora à distância - uma mão cheia de anos - tento ver com maior clareza. Recordo-me da revolta e da bagunça emocional. Sentimentos que até tento compreender que se perdoe quando se tem um casamento e filhos. Que se tente dar uma segunda oportunidade. Se entenda como um deslize. Mas quando não se tem nada disso, nem contas em comum - laços - não há sentimento que resista à desilusão. Não perdoo nem a traição de um amigo, muito menos de um Amor. Mas o que era mesmo difícil de perceber era o porquê?! Porque não me tinha contado, alertado e tratávamos de tudo a bem, com uma declaração amigável - como quando batemos sem querer no carro de alguém. Podemos desgostar - é legitimo. Errado é, quando damos o outro como seguro - contra todos os riscos! E achamos que podemos tudo - até actos de vandalismo (emocional).
Pior, é que vislumbramos sempre - a outra - como uma super mulher, com poderes desconhecidos e ainda ficamos a perceber menos quando vemos a imagem. Sim, porque mulher que é mulher, não descansa enquanto não sabe como a dita é fisicamente - com os homens é igual. Antes fosse um mulherão daqueles de parar o trânsito, um poço de cultura e bem falante - daria o braço a torcer. Como raramente isso acontece, pergunto se valem a pena: os riscos, a adrenalina, as emoções à flor da pele e o desassossego? As mentiras e os jogos? E o esforço físico? - ah valentes! E o arrependimento? E mais - tanto! - a perda de confiança da legitima? E a perda total? - sem indemnização por parte da seguradora.
Evitem magoar e descredibilizar quem vos ama. Sejam honestos. Teria em grande estima, consideração e nutriria um profundo respeito por quem fosse sincero, mesmo que me devastasse emocionalmente.
E um dia, quando nos cruzássemos, pensaria: despedaçou-me, mas foi um grande Homem.
Não digo "nunca farei" porque já o disse noutras circunstancias e mordi a língua. Mas é das poucos coisas que arriscava a cuspir para o ar, e sem falsos moralismos, dificilmente me cairia em cima.
Contudo, se tiver uma aventura, ao menos que valha a pena - já dizia o grande.

