quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo!

Dezembro é um mês de emoções fortes. Faz dele parte as mais bonitas quadras. Época em que todos estamos mais despertos para as pequenas coisas, damos mais valor aos pormenores. Sorrimos a quem passa e desejamos Boas Festas a desconhecidos. A sensibilidade está à flor da pele. Somos mais solidários: contribuímos e ajudamos causas. Reunimos com os mais queridos e partilhamos com os que mais amamos.

Desejo que todos sejam tão bem-fadados, quanto eu.

Não sou supersticiosa, mas sou de hábitos. Na passagem do ano cumpro sempre com duas tradições: no pé direito uma nota - de baixo valor, o que conta é a intenção. Incutiram-me no sentido de dar sorte e guarda-la durante o ano inteiro. Se assim for, significa que consegui sobreviver sem ter de a gastar. Confesso que usei a minha de 2013 na semana passada. Estava a passar na portagem e a insensível da máquina dizia "cartão não lido", à terceira - ou quarta - rodeada de vozes a gritarem interiormente "insiste com o cartão", tive de me render à razão, até porque os condutores da retaguarda já pareciam agitados,  sem sonharem o conflito interno que estava a viver - por causa da dita nota, dobrada em quatro, no cantinho secreto da carteira.

Na mão - pegajosa - as doze passas. E no pensamento, os tão estudados desejos.

É impreterível para mim não ter estes dois ingredientes preparados minutos antes das doze badaladas. Para completar, se puder acompanhar a doce fruta com um flûte de champanhe, então as tradições ainda são o que eram.

Ah! E como me perco no tempo com o rebentar de cada foguete... Sou apaixonada por fogo de artifício! Quantas mais cores e variedades melhor! São minutos mágicos, onde me limito a sonhar...

Intenções à parte, é indispensável a presença do meu mais que tudo ao meu lado: o meu irmão. E se os amigos - e amores - são a família que escolhemos, há títulos da mãe natureza que devemos de valorizar, proteger e agradecer por ter de forma tão pura e genuína. O meu amor por ele é incondicional, e se havia alguém por quem morreria, esse alguém é ele. E enquanto pudermos, será um hábito a não perder.



Que 2015 vos - nos - traga tudo aquilo que o 2014 se esqueceu. Mas acima de tudo que nos brinde com muita saúde. Txiim txiim! 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Amsterdam I love You!

Entusiasmada é pouco para descrever o sentimento que me invadia aquando da hora de fazer as malas. Queria tanto virar as costas à monotonia e os motivos eram mais que muitos. 

O entusiasmo manteve-se durante todo o trajecto. A curiosidade aumentou quando anunciaram a descida, e pouco depois estava oficialmente em terras Holandesas. Altura de encarar a zona de desconforto - penso sempre que dar barraca acompanhada é mais divertido. No entanto, facilmente apanhei o comboio e em pouco mais de 15 minutos estava na Amsterdam Centraal. Sai e bati de frente com a cidade, o termómetro roçava os negativos.




Amesterdão é sinónimo de liberdade. Liberdade total!

Não importa a cor ou a língua oficial, olham-nos exactamente da mesma maneira. Se nos vestimos bem ou nos entronchamos com o frio, para eles é indiferente. Todos diferentes, todos iguais, devia de ser o slogan. Embora tenha ficado com a ideia de que o frio gela os holandeses, por outro lado também acho que os conserva, são lindos de morrer e elas lindas de fazer inveja. 

Nos primeiros dois dias, tropeçava nas bicicletas, e estava mesmo a ver que ia conhecer ou dar a conhecer as instalações do hospital mais próximo. Eram rápidos e bem mais os adeptos das duas rodas sem motor do que aqueles que eu pensava. Sorte a deles - e a minha - que formatei o chip para me lembrar que eles existiam, e reconhecer o tlim tlim tliiiiiim constante das campainhas, antes da desgraça. Os silos automóveis dão lugar às bicicletas e o comum estacionamento transformasse noutro cenário - bem mais económico e saudável, reconheçamos.


Deliciei-me com as paisagens - especialmente com os canais. Vivi a cidade do ponto de vista dos locais. Fui a festas privadas e conheci pessoas de diversas nacionalidade, incluindo portugueses - em contagem decrescente para virem recarregar baterias no Natal, matar saudades e voltarem para o país em que resolveram apostar, por força das circunstâncias. Fui a bares em que de fora, numa rua com bastante animação e letreiros cintilantes, o destino era o único local que não tinha qualquer identificação, seria o último em que entraria sem a minha "guia", e teria sido um desperdício.


Passeava até que as pernas pedissem socorro e os ossos gritassem pelo calor de um qualquer espaço aquecido. E ai, foram muitas as agradáveis surpresas, Os espaços eram unânimes na decoração e no espírito. Provei as especialidades e tradições. Conheci os mercados. Maravilhei-me com a vista de dois cafés situados nos pontos mais altos e em diferentes locais. Vivi cada dia, para mais tarde recordar.





Inspirei toda a liberdade que me foi dada em terras desconhecidas, mas que me conquistaram.


Conheci a famosa Red Light Street que é ver para crer. O que me espantou não foi o conceito, foi mesmo a procura. Passo a explicar: é uma rua como tantas outras tirando a parte em que em vez de souvenires expostos, temos montras da largura de uma cabine telefónica, com camas ou sofás como pano de fundo, em que as independentes trabalhadoras estão expostas - com lingeries mínimas - à distância de um vidro, para quem as quiser "manusear". No entanto, se a cortina vermelha estiver fechada, é porque alguém foi mais rápido. De entre autenticas Barbies, haviam reais aberrações. A parte que me deixou boquiaberta, é que se eu fosse à procura, apostava nas beldades, que ao contrário do que pensava, não era a boneca mais vendida do mundo, mas o terror que morava ao lado - celulite, rugas, triplos pneus e idade avançada, parecem fazer as delicias dos senhores. A agenda delas - dizem as más línguas - já avizinham um ano cheio de trabalho. 

Ao contrário do que possa parecer, também fiquei com a ideia de que é uma cidade romântica. Uma espécie de Veneza moderna. Promessas de amor seladas com cadeados nas pontes. Passeios de bicicleta pelos jardins e quintas localizados nas principais artérias da cidade, tornando-a saudável, mesmo com toda a liberdade conhecida. 


Senti-me familiarizada o suficiente para percorrer as ruas na companhia dos desconhecidos que se cruzavam comigo. Daqueles que nunca mais voltarei a ver, mas que naquele momento preencheram o meu dia, e fizeram com que não me sentisse - nunca - sozinha. É uma cidade fácil de entender. Dá vontade de parar a cada recanto e observar.

Confesso que gostava de lá voltar, talvez na altura das festas da Rainha, no final de Abril, a cidade com mais uns graus é certamente mais convidativa para a rever e ver as minhas flores preferidas em flor.  De preferência noutro contexto, quero poder partilhar.

E não podia deixar de referir o quanto é bom a km´s de distância, no lugar mais comum como uma estação de comboios ou numa paragem de eléctrico ou simplesmente a caminhar na rua, ouvir falar português. Semelhante à parte em que dizem "bem-vindos ao aeroporto internacional de Lisboa". Eu adoro viajar, mas gosto muito de voltar e abraçar quem me espera.

Moral da história: esta viagem só vem provar que há males que vêm por bem. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

All my bags are packed i´m ready to go!

Viajar é abrir as portas ao desconhecido. É abraçar o imprevisto e sair da zona de conforto. É conhecer novas gentes, respirar um ar diferente e enriquecer a bagagem cultural. Viajar é perceber que há um mundo lá fora à nossa espera, nem que seja por uns dias. É um reset ao que vivemos, formatamos o disco de modo a ficar com a memória preparada para receber toda a informação possível. É instalamos o que é imprescindível e aproveitamos cada dia como se fosse o último. É sugamos  o que a cidade que elegemos tem para nos oferecer.

Viajar é bom, independentemente do motivo. 

Mesmo marcada com muita antecedência, fui obrigada a alterar as datas iniciais. As desvantagens da espera, rapidamente se tornaram vantagens: vai estar muito frio, é provável que apanhe neve e, pelo intervalo de tempo, espero deliciar-me com a decoração de Natal.

Não planei de forma a saber por onde vou andar ou o que vou visitar. O meu único pedido foi conhecer o Arena Stadium - é nestas alturas que eu percebo que sou estranha.


Embora tenha algumas indicações e sugestões. Vou à descoberta do desconhecido. Só amanhã durante a viagem me vou concentrar para isso - o tempo por cá escasseou para conseguir deixar tudo organizado. Mas uma certeza tenho: vou aproveitar ao máximo!

Estou num frenesim doido para embarcar. O meu nervosismo e ansiedade estão ao rubro - como uma miúda. 

Por cá, deixo a grande responsável impaciente por não poder abraçar esta aventura comigo. À minha espera a amiga que me abriu as portas de sua casa, do seu coração e do tempo. Os bens mais preciosos que alguém nos pode dar. 

Destino: Amesterdão!

Até logo!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

As palavras que não te disse...

Quando acabamos uma relação - tenha a denominação que tiver - há sempre uma série de pensamentos - normalmente péssimos que nos corroem como acido - que ficam por dizer. Que na hora nos esquecemos. Que diríamos horas depois, quando o turbilhão de emoções acalmasse. Respostas que nos arrependemos. Ofensas irrefletidas. E outras tantas pensadas. Palavras letais, que perfuram afiadamente cada órgão vital, acabando por matar o que restava.

E infelizmente, esquecemos-nos de dar ênfase ao que houve de memorável.

Chegava sempre mais tarde do que a hora combinada, os dias andavam complicados. Entre a azafama das reuniões e das constantes viagens entre empregos, finalmente o dia acabava - contigo. E era tudo o que pensava ao longo de cada obstáculo.

Normalmente, esperavas por mim em tua casa. Nossa de vez em quando. O tempo suficiente para sermos o casal perfeito. Dentro daquele espaço, que sendo teu - nosso - nos completávamos. Gostava da tua casa, longe de tudo. Esquecia os problemas, o trabalho, as responsabilidades e as complicações - a vida real. Como se fosse um sonho - é a sensação que tenho.

Gostava da cumplicidade que nos unia. O que me fizeste redescobrir! - uma lufada de ar fresco.

Ao pé de ti era eu na minha plenitude. Tinhas a habilidade de trazer à tona o melhor de mim. Serenavas-me a alma e davas-me a paz de espirito guardada - escondida. Abstraia-me do mundo. Deixava lá fora - do outro lado da porta - as coisas menos boas. E talvez isso não tenha sido uma boa opção.

Não era amor. Mas foi uma paixão arrebatadora.

Sentia as pernas bambas ao subir a escada, e adorava a forma como me abrias a porta. O sorriso esboçado com ar de encantamento, o beijo e o abraço - compensava qualquer arrelia.

Uma nostalgia súbita se apodera de mim quando penso na forma como me beijavas - era sentido. A inevitável pulsação acelerada, a respiração ofegante e o que me segredavas ao ouvido... O beijo inesperado no escuro. A segurança e o conforto que me davas quando acordava a meio da noite e sentia o calor da tua mão bem no fundo das costas. 

Foi bom, tão bom enquanto durou.

Em fase da bonança, com as três letrinhas no fundo escuro bem interiorizadas, continua a ser bom relembrar - como um Amor de Verão. Faço-o com um sorriso. Não sinto saudades, mas recordo com o merecido respeito. Obrigada pelo que tivemos. Espero que me recordes da mesma maneira. Quando acordares do nosso sonho, não te esqueças, acabou. Sê feliz.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Longe da perfeição...

Tenho a mania que sou uma fada do lar. Depois, quando alguma coisa me corre menos bem, fico furiosa! Do género: Imaginem uma camisa nova que vão passar antes de estrear e não repararam que o ferro estava quente demais para o tão sensível tecido e só percebem naqueles escassos segundos em que vêm um fumo estranho, uma espécie de pó no ar e plim faz-se luz! A medo levantei o ferro de engomar que - sem culpa - me estragou o dia e é a constatação. A imaculada camisa mudara de design.

Teimosa como sou, vesti o raio da camisa assim mesmo. Com uma blusa sobreposta, o figurino estava composto, ninguém repara e pelo menos ainda desfilo a nova aquisição - pensei. Com um sorriso no rosto de não vencida - lá fui. 

Arrependi-me no momento em que me sentei no carro. Mas sou forte - debatia comigo mesma.

Até que senti um comichão e um incómodo - tão grande - de ter aquela pasta caramelisada nas costas, que para além de castigo, ainda descobri a minha costela masoquista que nem por um minuto me permitia esquecer o feito matinal. A meio da tarde, descobri que quanto mais direitinha tivesse mais me conseguia abstrair - e evitei sentar-me - houve alturas que passei cinco minutos sem arranhadelas. Vantagem: Postura!!

Ah!! O alivio que foi despi-la.

Conclusão: Não sou teimosa, sou é parva! E - especialmente hoje - longe da perfeição! 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Estranho modo de vida...

Tantas são as vezes que dou por mim a divagar em assuntos que não sei como intitular. Outras vezes, há temas tão simples, que não me apetece chamar-lhe pelo nome próprio. Penso muitas vezes que tenho um estranho modo de vida. Mas ainda assim, não consigo ser diferente. Defendo os meus ideais com todas as forças. E há uma palavra que não consigo compreender: a infidelidade.

Recordo-me de haver alturas para tudo. 

Os morangos, as cerejas, a melancia, a meloa e o melão recebiam o Verão. As laranjas prevenirem as doenças de Inverno. As castanhas em meados de Outubro e Novembro, significava que o São Martinho estava para breve. Só havia bolo Rei à venda pouco antes do Natal até ao dia de Reis. E tudo tinha outro sabor. Agora, comemos tudo quando nos apetece, sempre que nos apetece. E isso, faz com que não tenhamos de esperar pela a sua época. Bem ou mal-ditas estufas. Evoluções e modernices.

Assim são as relações modernas: despidas de preconceitos. Sem esperas. Longe das expectativas de outros tempos. Conhecem-se primeiro os sinais cravados pelo corpo, antes dos sinais da alma. Damos - literalmente - o corpo as tentações antes de dar o coração. 

E se a liberdade é tão grande, porquê trair? 

Nunca traí, mas já fui traída. Agora à distância - uma mão cheia de anos - tento ver com maior clareza. Recordo-me da revolta e da bagunça emocional. Sentimentos que até tento compreender que se perdoe quando se tem um casamento e filhos. Que se tente dar uma segunda oportunidade. Se entenda como um deslize. Mas quando não se tem nada disso, nem contas em comum - laços - não há sentimento que resista à desilusão. Não perdoo nem a traição de um amigo, muito menos de um Amor. Mas o que era mesmo difícil de perceber era o porquê?! Porque não me tinha contado, alertado e tratávamos de tudo a bem, com uma declaração amigável - como quando batemos sem querer no carro de alguém. Podemos desgostar - é legitimo. Errado é, quando damos o outro como seguro - contra todos os riscos! E achamos que podemos tudo - até actos de vandalismo (emocional).

Pior, é que vislumbramos sempre - a outra - como uma super mulher, com poderes desconhecidos e ainda ficamos a perceber menos quando vemos a imagem. Sim, porque mulher que é mulher, não descansa enquanto não sabe como a dita é fisicamente - com os homens é igual. Antes fosse um mulherão daqueles de parar o trânsito, um poço de cultura e bem falante - daria o braço a torcer. Como raramente isso acontece, pergunto se valem a pena: os riscos, a adrenalina, as emoções à flor da pele e o desassossego? As mentiras e os jogos? E o esforço físico? - ah valentes! E o arrependimento? E mais - tanto! - a perda de confiança da legitima? E a perda total? - sem indemnização por parte da seguradora. 

Evitem magoar e descredibilizar quem vos ama. Sejam honestos. Teria em grande estima, consideração e nutriria um profundo respeito por quem fosse sincero, mesmo que me devastasse emocionalmente. 

E um dia, quando nos cruzássemos,  pensaria: despedaçou-me, mas foi um grande Homem. 

Não digo "nunca farei" porque já o disse noutras circunstancias e mordi a língua. Mas é das poucos coisas que arriscava a cuspir para o ar, e sem falsos moralismos, dificilmente me cairia em cima. 

Contudo, se tiver uma aventura, ao menos que valha a pena - já dizia o grande.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O meu dia!

Era uma vez, uma adolescente com 16 anos que ficara grávida, estávamos no inicio dos anos 80.

Embora não fosse raro, havia sempre a alternativa - a anos luz da liberalização! - e essa fora colocada na mesa. Mas quando esse dia chegou, pediu a uma força superior que a ajudasse a tomar a decisão acertada e na hora da incerteza pediu que se não tivesse de o fazer que lhe desse um sinal. No mesmo instante, começou a chover. Coincidência ou não, foi graças a uma tempestade que cá estou.

Este é oficialmente o meu dia.

Nesta data, é inevitável fazer a retrospectiva do Passado, analisar o Presente e formalizar os desejos para o Futuro. É obrigatório meter na balança - na minha! - os aspectos positivos e negativos. Este ano em particular, foi uma dura batalha, pessoal e profissional, superada da melhor maneira possível. E foi no meio desta guerra - num fogo cruzado - que nasceu o blog - uma das melhores recordações dos já passados trinta e três. 

Seria muito ingrata para com a vida, se dissesse que fora madrasta comigo. Por isso, vou simplesmente agradecer a maior dádiva que alguém pode ter, a oportunidade de viver - literalmente. Acreditar que terei muitos e muitos anos, com o que de melhor ela tiver para me oferecer e enfrentar o que de menos bom me contemplar de vez em quando. Agradecer também aos que me rodeiam - de coração aberto - e me aceitam como sou. Aos que sem saberem através dos gostos, comentários e mensagens me enriqueceram - bem mais do que possam imaginar.

Gosto que seja um dia carregado de carisma. 

No entanto, a importância que ganhamos neste dia deixa-me desconfortável. O telefone toca o dia inteiro e repetimos o tempo todo "Obrigada! Muito obrigada!" e o sorriso vem naturalmente anexado a cada telefonema - até deixam uma dor `boa´ nas bochechas.  

Pensando  bem, é a palavra mais correcta: obrigada! Um bem-haja a todos os que fazem genuinamente parte da minha vida, não teria gracinha nenhuma sem vocês!

De madrugada, ao fechar a janela pingava grosseiramente. Sabe-se lá porquê acho sempre que a chuva - só neste dia - é um bom pressagio. Ao abri-la o mesmo cenário. Espero que seja a confirmação de que se avizinha um excelente ano.

Aniversário molhado, aniversário abençoado. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Querido Outubro!


Pensando bem, viver é uma tarefa complicada. 

Se há pouco tempo atrás, o tempo me fugia entre os dedos, tal era a azafama. Agora, sem motivos de força maior, o tempo sobeja. Será uma partida - de mau gosto - do destino, ou uma oportunidade ainda não aproveitada?

Na dúvida, resolvi dar tempo ao tempo e aproveita-lo da melhor maneira. A meu favor: a minha estação e mês preferido. Porquê? Porque é o meu. Contra: Nada.

Este calor temporário - de fazer inveja a alguns dias de Verão - faz-me ansiar pelos dias mais frios, pela forçada mudança de roupa - tão mais elegante e variada. E os cheiros! Ai os cheiros da terra molhada e das castanhas! Dos agasalhos e casacos! - Adoro casacos. Das botas! - adoro botas. E collants! - uma perdição. É uma estação charmosa e equilibrada. Provavelmente contribui para isso a balança que a representa, a dose certa do frio com o Sol a catrapiscar de vez em quando. 

E este regresso do meu querido Outono, remeteu-me para um período fantástico da minha tão feliz infância.  Das correrias e jogos - não, não eram na Ps 1, 2, 3 ou 4! Felizmente! E com ele, todos os valores que me passaram. Venho do nada, e por isso me incutiram a aprender a dar valor a tudo. Às mais pequenas coisas. Princípios que, aconteça o que acontecer, não podemos permitir que nos roubem e de preferência que não tenham de ser  relembrados.

Para que, independemente das circunstancias da vida, nos possamos defender com sensatez, boa-educação e com a humildade necessária. Ou ofender, com a mesma base. Não perdoo que me chamem de "mal educada", nem que indirectamente, porque quando o fazem, não só ofendem o preceito moral associado como quem tanto se esforçou para solidificar esta estrutura que tanto prezo.  Não sou perfeita e erro - oh se erro! Mas reconheço - de vez em quando. Não importa a escola onde iniciamos a nossa caminhada, mas como a acabamos. A certa altura, todos nos cruzamos. É a sociedade meus caros. É a vida.

O mesmo se passa com os amigos de infância, aqueles que para alem de perdurarem nas nossas melhores memórias e constarem no álbum das recordações - de papel, onde tocamos nas mesmas e partilhamos enquanto recordamos, com carinho. Não com a impessoalidade de uma pen - têm sempre um cantinho especial, mesmo que as vidas tenham seguido rumos diferentes. 

Não importa a classe social de onde vimos, mas os valores - não me refiro às jóias! - que perduram,  que se interiorizam com a mesma  naturalidade de quando entramos na primeira classe - sem saber ler nem escrever.  E até ai sou uma afortunada, a minha professora primária ainda hoje visita a minha mãe para saber de mim.

Vendo bem as coisas, fui bafejada pela sorte. 

Bem-vindo querido Outubro, as saudades que te tinha.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Calma Coração...

Nos últimos anos, apesar de conhecer algumas pessoas interessantes, não eram cativantes o suficiente para mexerem com toda a orquestra que move o corpo. Não me faziam perder noites a sonhar, nem tão pouco me faziam acreditar num futuro brilhante. Desiludia-me com as mais pequenas coisas. Desculpas fáceis para terminar o que não chegara a começar. Por alto, conto cinco anos em que não me revolvia as entranhas a cada mensagem ou a cada encontro.

Tudo tão mágico, que tive de desaparecer de cena num ápice.

E eis que dou por mim a rezar para que esses tempos voltem, não os dos vazios, mas o da leveza de um coração que passava entre os pingos da chuva da ausência de dor, tristeza e desilusão. A paixão recente, virou a mais dura das decepções. Não por ele, mas por mim. Porque acreditei que tinha potencial para ser bem mais que uma historia a contar, o virar de uma página feliz. Não foi - de todo - o final desejado, longe disso, mas foi o final que - acredito - estava reservado a ser. Como pedimos para reservar a mesa do restaurante, em que o jantar corre lindamente, mas depois dá uma bruta indigestão.

Nem tudo o que parece, é!

Calma coração, já passámos por isto uma vez e ultrapassamos, lembras-te? Naufragamos e encontramos o Norte. O que não tem de ser, não é. Vamos aguardar serenamente por dias melhores, acreditar com todas as forças que nada acontece por acaso, e que ainda vamos ser abençoados. A genuinidade dos nossos sentimentos vão ser reconhecidos e merecidamente entregues.

Até lá, vamos ser fortes, levantar a cabeça e aproveitar para enriquecer a bagagem cultural. Vamos marcar uma viagem e desfruta-la o melhor possível. Resultou da ultima vez, ajudou a descentralizar o que não sai da cabeça, os porquês não explicados. Voltaremos com novas ideias e cheios de vontade para impulsionar o trabalho. A fuga que - sempre - resulta. E dar continuidade aos passatempos que preenchem lacunas inexplicáveis. Vamos ser só nós. Vamos ser egoístas. Chega de tentar perceber onde falhamos. Não resultou. É a versão resumida da história. Não foi por falta de querermos, pois não? Então não nos merecia. Não mereceu as nossas ansiedades, receios, insónias e sonhos.


Vamos os dois juntar os cacos, é um trabalho de equipa e nós somos bons a trabalhar em conjunto. Vamos superar mais este percalço, teste ou o que seja. Construir o tal castelo com as pedras que vamos encontrar, para que possamos formar a realeza que merecemos. Porque merecemos!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Tudo a seu tempo!

Sempre fez parte do meu imaginário o dia do casamento. Por todos os motivos associados mas em especial por vestir o tão desejado vestido de noiva. Recordo-me de congelar em frente às montras e transportar-me para o mundo encantado de um dia que ainda não aconteceu. 

E sempre pensei: como se escolhe o vestido para um dos dias mais importantes da vida? - dizem! E numa das visitas à loja dos sonhos - a acompanhar orgulhosamente a minha afilhada - a vendedora respondeu: É tão complicado escolher o vestido, quanto o noivo. Mas no dia em que o vestires sentirás que é o ´tal´. E esta frase - mal a Senhora sonha - nunca mais me saiu da cabeça. 

Porém, como acho que tudo a seu tempo, com o vestido tem sido igual. Lembro-me de achar que ia modo princesa. No outro dia, numa das publicidades das redes sociais salta-me não um vestido mas ´o´ vestido. De princesa pouco tinha. Mas tinha tudo o que os trintas pedem: elegância, maturidade, sofisticação e muito glamour. Apaixonei-me. Depois lembrei-me que o processo é ao contrário. E que escolher o vestido é a última parte, a cereja no topo do bolo.

Imaginei. Sonhei. Acordei. 

Continuo a sonhar. E se há alguns anos - décadas! - sonhava com o vestido de princesa e esse gosto se aprimorou - tipo o vinho do Porto. O mesmo se passa com o noivo. Que deve de estar algures numa pipa de carvalho, mais do que amadurecido, perdido, a respirar por uma palhinha e a pedir socorro! À espera da Princesa, sem o respectivo vestido. 

Romancear a vida, o que de bom e mal ela tem, tem os seus encantos. E no meio das fases menos boas, nada como sonharmos, para abrir horizontes e acreditar, que o amanhã pode ser surpreendentemente colorido. Embora hajam dias em que apetece mandar o romantismo às urtigas.

Vou continuar a sonhar, porque se o sonho comanda a vida, quero comandar os meus.