terça-feira, 28 de abril de 2015

You´ve got a message!

Acordei, depois de adiar algumas vezes o despertador. Mais um dia -  pensei, extremamente revoltada com a rapidez com que a noite passou.

Tinha adormecido numa inquietação de pensamentos. Depois de despertar, percebi que o telefone não tocara só para me provar que é ele quem ordena a minha vida, mas que me presenteava com uma mensagem. Correcção, com a mensagem que me serenou o espírito, aqueceu o coração e me deixou maravilhada.  



Não, não foi numa folha timbrada nem especialmente escolhida para impressionar. Não tinha o cheiro a fresco da frase ou perfume no papel recém dobrado. Não trazia selo, nem foi deixada no correio normal. Foi das modernas, que se enviam a qualquer hora, todos os dias da semana sem serem precisos intermediários. Não podem ser guardadas na gaveta para mais tarde recordar, mas também não nos trazem nostalgia ao serem relidas. É o preço da rapidez com que são entregues. Sem esperas, nervosismos ou incertezas se chegou ao destino. E se bem escritas - com o coração - estão longe de serem impessoais. Vantagens das novas tecnologias. Se bem que tenho saudades do toque intemporal de uma carta. Uma dualidade de sentimentos em relação à forma como é enviada, mas nenhuma dúvida quanto ao enternecedor conteúdo.

E até agora penso, será que estou a sonhar? Se estiver, não me acordem por favor!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Love is...


"Love is passion, obsession, someone you can't live without. I say, fall head over heels. Find someone you can love like crazy and who will love you the same way back. How do you find him? Well, you forget your head, and you listen to your heart. And I'm not hearing any heart. Cause the truth is, honey, there's no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love, well, you haven't lived a life at all. But you have to try, cause if you haven't tried, you haven't lived."  
                                                                                                             in Meet Joe Black

terça-feira, 21 de abril de 2015

O inesperado aconteceu.

Há semanas que adiávamos o jantar, até que batemos na mesa e dissemos: é este Sábado!

Os dias passam e perdemos a noção de tempo, tal é a velocidade a que o relógio anda e consequentemente os dias do calendário. A correria desde manhã, qual montanha de problemas, um evareste a sufocar. E viver que é bom, nada. Posto isto, resolvemos que chegava de zaping e lamentações dos últimos fins-de-semana.

Pensámos em jantar num sitio badalado, mas onde pudéssemos ir mais descontraídas sem o salto alto indispensável de outras épocas. Aliás, já não tenho resistência - idade!! - para uma noite de salto agulha e nem os compensados me encorajam. A maravilhosa calçada portuguesa também não recomenda. Calçado confortável -  mas elegante - e lá fomos nós.

A preferência recaiu num dos mercados da moda, a escolha não poderia ter sido melhor. As opções gastronómicas são as mais variadas e ainda socializamos de forma casual e descontraída. É inevitável ouvir as conversas alheias, mas, sinceramente, ninguém está preocupado com isso, o que torna tudo extremamente agradável e relaxante. Uma espécie de viagem dentro da cidade. Companheiros de jantar que dificilmente se voltarão a cruzar, como se estivéssemos de passagem num outro país. Sem uma mesa só para nós, é certo, mas com uma dinâmica contagiante.

Terminámos pouco passava das 23h30, optámos por caminhar até nos apetecer parar - as tais vantagens - e alguns metros depois, lembrei-me de apresentar a antiga boate mais procurada em Lisboa. Certamente que muitos já lá foram e dispensa grandes apresentações, mas é sempre uma aventura lá entrar. A meio da visita guiada, a minha amiga vê a taróloga  de serviço, e desafiou-me a embarcar na experiência do desconhecido. Hesitei. Acho que é um perigo ir a estas coisas, porque ou as estrelas estão alinhadas, corre bem e seja, ou não, verdade dá-nos um incentivo extra, mas se corre mal, a experiência pode ser traumática, porque será inevitável abstrairmos-nos no próximo par de horas.

Não era uma estreia, já o tinha feito anteriormente mas de forma consciente, com marcação antecipada, não desta forma - meio - impulsiva. Para quem tiver curiosidade foi assim que aconteceu.

Depois de alguma insistência, lá fui.

Enquanto ganhávamos  a coragem necessária, recostamos-nos na cama que fica em frente à pequena mesa redonda coberta com um tecido vermelho escuro, com tantos outros suspensos no teto e elevada em relação ao resto da sala, tornando-a mais especial e que encaixa na perfeição naquele cenário onde a perversão reinou noutros tempos, mas que deixou todo um ambiente intocável, que dá que pensar, mas é essa diferença que torna o local especial.

Enquanto esperávamos pela nossa vez, chega uma rapariga muito acelerada e pergunta: estão na fila? Respondemos sem grandes certezas, porque a bem da verdade estávamos com o receio natural. Depois do nosso tremido sim, a Tânia - soube depois, não é nome fictício mas também não acho que ela vá ler - confessa ter trazido o amigo porque na outra vez que lá tinha ido a entendida do tarot tinha acertado em tudo. Ora, se dúvidas houvessem, tinham acabado de desvanecer e o entusiasmo disparou.

Em menos de nada, estávamos os quatro na cama, confortavelmente instalados e a conversar como se nos conhecêssemos desde sempre. Minutos depois chegaram mais dois amigos do dueto anterior e, não sei se atraídas pela boa disposição, duas inglesas - não, já não cabiam todos na cama - apoderamos-nos mesmo do espaço. Apresentamos-nos, trocamos histórias, rimos e partilhamos experiências. Aquela sala, sendo a mais pequena, ficou mínima para tantos desconhecidos bem-dispostos, sem receios ou preconceitos ou tabus.

Escusado será dizer que o relógio não foi nosso amigo e cada um teve de seguir o seu rumo. Nada como uma saída sem expectativas se transformar numa noite a recordar. E tudo o que me fazia ficar em casa nas semanas anteriores por lá ficou, porque não tive sequer espaço ou tempo para me lembrar.

Valeu muito a pena embarcar na aventura, não só pelos escassos minutos que me deram uma injecção extra de adrenalina para o futuro, mas principalmente por ter sido o elo de ligação ou - entrando no espírito - coisas do destino. Porque se não parássemos na incerteza movidos pela mesma curiosidade, teríamos simplesmente seguido para a sala seguinte. E, muito provavelmente teria sido, só mais uma noite.









domingo, 12 de abril de 2015

O que não nos mata torna-nos mais fortes!

Na maior parte das vezes arrastamos relações que sabemos que estão condenadas à partida, por variantes de um mesmo factor: o medo. E por ele, perdemos anos de vida, auto-estima, amigos e até metemos em causa laços familiares.

Desrespeitar alguém, não é só trair. Nem bater. Há palavras que doem mais do que uma chapada - e não há ditado sem fundo de razão. Os medos fazem com que as pessoas se retraiam. Medo de perder - o que já está perdido. Medo de ter de começar de novo. Medo de sair do patamar desconfortável, mas que é mais confortável que o desconhecido. Medo de dar razão aos outros. Um sem fim de medos que lixam a vida dos inseguros. E quando finalmente tomam uma decisão, percebem as toneladas que saíram de cima e pensam: porque não fiz isto mais cedo?

Claro que cada um reage de uma forma diferente. Sim, temos de respeitar as decisões que cada um toma e o caminho que segue. Mas como avisar do perigo eminente? Como evitar a colisão? Não se evita. Isto porque tenhamos a idade que tivermos, vamos sempre querer provar que os outros estão errados, quando a verdade está na frente dos nossos olhos mas o maior cego é aquele que não quer ver. E quando o ver para querer nos faz pensar no quem te avisa teu amigo é, então é porque descobriste o caminho para a cura.

Ninguém é vitima da "vida". As coisas acontecem sempre por alguma razão. Eu não acredito que fui uma bruxa na encarnação passada, nem que estou a pagar sei lá pelo quê. Se pensarmos bem, bem, bem, há coisas bem piores que uma relação falhada. Por isso, a minha postura perante a vida é sempre positiva. Sofro quem nem uma louca mas o tempo é um bom amigo. - e sempre faço umas viagens.
Não tendo a receita para a cura, vitimarmos-nos não é solução. E se há coisas que me mexem com o sistema nervoso é a voz de um/a coitadinho/a. Não deixem que ninguém sinta pena. Não é um bom sentimento neste campo amoroso. Quem não nos quer, pois bem. não nos merece. Temos de lidar com adversidade de frente. Tirar partido da aprendizagem e viver a vida. Chorar, sim. Porque não? Faz bem extravasar as emoções. Partam pratos, sei lá. Mas não queiram ser coitadinho, por favor!

Sabem, nunca ter desilusões de amor, é um privilegio dos imbecis. E nunca se esqueçam que de todos os impérios, o mais vasto e absoluto é o do amor próprio - fica o desabafo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Confissão #1 Beija-me!



Não confesso às paredes, mas confesso-vos: o que mais me atrai no sexo oposto é a boca. Uma dentição a roçar a perfeição - e cuidada. A forma como articula as palavras. Um sorriso atrevido e uma gargalhada sentida são um íman para a minha atenção. 

Inevitavelmente o beijo, o jardim das delicias. 

O beijo é dos passos mais importantes, não me refiro a um beijo inocente mas a um beijo ousado, prolongado, envolvente e arrebatador.  Aquele em que o sangue fervilha, a pulsação acelera e solta o lado mais animalesco, selvagem e - desculpem os mais pudicos - normal que há em nós. 

E um beijo, que se digne do seu nome, é o principio de horas de sono perdidas, de voltas na cama e insónias. 

Provavelmente por isso, o beijo é aquele momento em que tudo pode começar ou acabar. 

Um beijo nunca é só um beijo, é a cumplicidade, a química e a física!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Pós Dia de São Valentim...

O dia dos namorados chegou ao fim, finalmente! - pensei às 23h58 do dia oficial dos comprometidos.

Não que andasse a desesperar ao longo do dia, mas simplesmente porque gosto mesmo do dia mais comercial para quem tem uma cara metade. Tão importante quanto o dia da mãe ou do pai! Vale o que vale, mas acho que deve de ser festejado, por quem pode. Gosto de todas as lamechices, de pensar na surpresa, de ser surpreendida, de me vestir especialmente para a ocasião e das lembranças que ficam para recordar. Daquelas que mesmo quando acabamos a relação e guardamos - algures na última gaveta do armário - ainda sorrimos ao relembrar a momento - mesmo que estejamos no alto mar dos sentimentos.

Nestas datas, ocupar-me é sempre a minha estratégia para enfrentar as vinte e quatro horas não desejadas, este ano cuidar de mim foi o meu lema. Poupei na prenda, gastei comigo. E ainda acabei o dia com a banheira bem cheia e quente envolvida pelos aromas do óleo relaxante e magnificamente acompanhada de um taça de vinho tinto. E continuou numa maratona das minhas series favoritas. E sem despertador neste Domingo - Pós São Valentim. Acordei, com os níveis de energia no máximo, afinal tenho mais 364 dias meus.

Não estava com paciência para jantares de solteiros e muito menos para alinhar em saídas naquela noite onde o engate é certo, afinal a probabilidade de quem está na rua numa noitada destas ser solteiro é altíssima e eu não gosto nada de me sentir um alvo. Ou ir à pesca! Dispenso.

O que faria se tivesse aquela companhia? Teríamos um jantar bem especial, tão especial quanto a nossa relação, tão especial quanto ele. Independentemente do local, arrojava em tudo, afinal a noite pedia que fosse diferente. Porque na verdade acho que estes dias - embora possam ser comemorados todos os dias, sim - servem para ser marcados pela diferença, porque há uma data oficial a comemorar. Para além do que esta implícito, fazia-o sentir - mais uma vez, como todos os outros dias - o quanto era desejado e amado. 

Acredito que tenha sido uma noite entediante para muitos, mas também creio que há sempre formas de contornar os dias menos bons e torna-los inesquecíveis. E acima de tudo é fundamental vivermos bem connosco e aceitarmos a realidade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Vendem-se sonhos!

A carência é o flagelo dos solteiros. 

O desejo de ter alguém, provar à sociedade mais conservadora que afinal são normais - como se houvesse esta definição - em vez de serem felizes com o que a vida lhes dá de bom. Sofrerem desmedidamente, não com o modo de vida que escolheram mas com o destino que indirectamente lhes foi traçado e que lhes corrompe a sensatez. Comparável a ir a um supermercado com fome, apetece tudo. Assim é a vida de quem vive desesperadamente à espera de um relacionamento: atirasse de cabeça a qualquer promoção - oportunidade. E esta insatisfação perante a condição imposta pelo infortúnio do rumo que lhes foi confinado, não ajuda em nada a tomar as decisões mais acertadas. 

A aspiração de realização é tão forte que aceitam qualquer regra, movidos pelo desespero e por um bilhete de identidade que teima em mostrar que o tempo não volta atrás. O que parece que não percebem, é que mesmo não voltando - que não volta - há uma caminho em frente a percorrer.

As pessoas perdem a capacidade de sonhar. Ficam descrentes num futuro que está, tão somente nas mãos de cada um. Se é fácil falar? Ui, se é. Mas eu falo com conhecimento de causa. Eu sou uma das que não está nesta condição por opção. Mas resolvi fazer as pazes com o passado. E nem aquele dia deste mês [piroso e] lamechas [como o amor deve ser] - que ao coincidir com o Carnaval até nos dá a possibilidade de fazer trocadilhos reles e considerar o dia uma palhaçada - me rouba qualquer sonho. 

Sou positiva por natureza, mas também sou muito terra-a-terra - em tudo. Aceito o bom, o menos bom e o mau. Luto contra pensamentos negativos e sonho, sonho tanto. Deito-me e acordo com a mente sempre focada nos meus sonhos - e objectivos. E num dos momentos em que sonhava acordada, resolvi mudar, o que estava ao meu alcance. À distância de uma boa dose de coragem e de uma dose extra de vontade, decidi sair da zona de segurança e mudar de código postal - entre outras pequenas grandes coisas. Tentar justificar aos meus arrendatários o inexplicável ou contornar ao máximo para que faça algum sentido. Aproveitar-me da minha desenvoltura verbal para que não pareça uma crise porque é tão somente uma necessidade consciente de experienciar uma outra realidade. 

Não que a minha felicidade dependa desta mudança em concreto, mas preciso de me desafiar a mim mesma, de mudar de hábitos, de ver gente nova e conhecer novos lugares. A monotonia do patamar de conforto tornou-se desconfortável, ou a minha teimosia começou a sussurrar-me ao ouvido. E por consequência o desassossego - do bom - e a inquietação - da boa - passaram a ser meus companheiros de viagem.

O pior que pode acontecer é arrepender-me, mas que todo o mal seja esse. Ninguém se pode arrepender de tentar, se avista a solução ou mesmo resolução de uma série de pendentes. Aceitar se não correr como o desejado. Mas correr atrás dos sonhos, mesmo que só façam sentido para nós. Ambição? Também tenho a minha dose. 

Em tempos de revolução pessoal, que seja tão bem sucedida quanto a dos cravos.

Se pudesse vendia sonhos - não dos fritos que têm açúcar e canela que esses ficaram pelo mês deles - mas daqueles que enriquecem qualquer ser. Ensinava a arte de acreditar que os sonhos estão ao alcance de quem sonha! Mesmo quando parece que o mundo inteiro se uniu para nos tramar. 

Decreto o mês dos sonhos! Vamos sonhar, traçar metas - sejam elas quais forem. A primavera está à porta não tarda, os dias vão ficar mais longos, as flores vão brotar e sonhar é tão gratificante.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Os maridos - das outras.

Sempre que me dá um ataque de nostalgia, tento contrabalançar com uma dose de esperança num futuro mais que risonho - um futuro gargalhante! [acabei de inventar].

Não sei se pelo tempo livre a certa altura do dia - se por ter um cérebro que teima em não descansar - que isto é uma movimentação constante. Penso no que devo e no que não devo. Por isso, gosto tanto do horário de expediente, o único período do dia em que estou focada no trabalho - tirando as pausas para café, chás e afins.

Numa dessas mini pausas, começou a passar na rádio Os maridos das outras e por ai fiquei breves - penso eu - segundos. Nunca tinha pensado no assunto, mas percebi que não me casava com nenhum dos maridos das minhas amigas - provavelmente eles também não casariam comigo. Todos tinham defeitos que eu não seria capaz de lidar uma vida inteira. 

São excelentes pessoas, tenho de deixar isto bem claro. Quase perfeitos aos corações delas, e só isso importa. Mas longe de serem o arquétipo da perfeição. A diversidade é grande e não me estou sequer a focar no aspecto físico, só mesmo nas personalidades. 

Do mais independente ao mais submisso. Do mais acomodado ao constante insatisfeito. Do mais maduro ao mais imaturo. Do mais vivido ao mais inocente. Do mais bem humorado ao mais carrancudo. Do mais mimado ao mais picuinhas. Todos têm características bem marcadas. E todos eles encaixaram com elas de uma forma mais ou menos natural. E a ilação é mesmo essa, cada qual tem o seu nível - não de exigência - mas de aceitação, que varia de pessoa para pessoa, até porque nem conseguiria trocar os maridos entre elas, seria impossível.

A vantagem, é concluir que um dia o meu príncipe vai ser sapo aos olhos delas, mas eu vou vê-lo cintilar. Porque o Amor não cega, não deturpa a visão, mas altera a forma como interpretamos e aceitamos os defeitos que cada um tem. Porque amar, é nem precisar de usar a balança para pesar as qualidades vs defeitos. Amar é depender saudavelmente da presença emocional. É querer. É dar. É receber. É ser verdadeiro. É aceitar o bom e o mau - incondicionalmente - até que a morte nos separe.